Chile investiga suposta interferência estrangeira em protestos




Segundo chanceler, houve ‘tráfego exagerado’ na internet a partir de um país do Leste Europeu, que não foi detalhado. Manifestante tenta bloquear passagem de veículo policial em Santiago, no Chile, nesta terça-feira (3)
Pablo Sanhueza/Reuters
O chanceler chileno, Teodoro Ribero, afirmou nesta terça-feira (3) que investigadores detectaram “um tráfego exagerado na internet” a partir de “um país do Leste Europeu” desde o início da onda de protestos no Chile, em 18 de outubro. Segundo o ministro, isso pode significar que as manifestações tiveram interferência internacional.
“Organismos internacionais chilenos investigam se há ou não ingerência internacional direta”, disse o chanceler a jornalistas após visitar a sede do Congresso, em Valparaíso.
“O que sabemos é que após 18 de outubro houve uma cota importante do uso da internet a partir de um país da Europa oriental para o Chile”, explicou o ministro, de acordo com a agência France Presse.
“Há um tráfego exagerado de Internet, há a criação de perfis falsos”, acrescentou.
Manifestante é atingido por canhão de água durante protesto em Santiago, no Chile, nesta terça-feira (3)
Goran Tomasevic/Reuters
As declarações de Ribera ocorrem após um funcionário do departamento de Estado norte-americano revelar à imprensa “indícios de atividades russas para dar uma direção negativa ao debate no Chile”, e assim “exacerbar a divisão e fomentar o conflito”.
O chanceler chileno não citou qualquer país, mas declarou que este tipo de coisa não é “novidade” e que atualmente existem “riscos internacionais para os países e para as democracias”. Neste sentido, alertou sobre a necessidade da colaboração internacional com informação “para prevenir tais circunstâncias”.
Interferência externa
Representantes de países signatários do Tiar se reuniram nesta terça-feira (3) para discutir punições ao chavismo na Venezuela
Luis Jaime Acosta/Reuters
Também nesta terça-feira, 15 países signatários do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), entre eles o Brasil, aprovaram punir integrantes do regime de Nicolás Maduro na Venezuela.
Um dos argumentos para as sanções eram o suposto envolvimento de pessoas ligadas ao chavismo em “atos violentos” ocorridos nas “manifestações populares legítimas em alguns países da região”.
O texto não detalha quais seriam essas manifestações. Porém, na segunda-feira, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, acusou os regimes de Cuba e Venezuela de “tentarem sequestrar” os protestos que ocorrem em diferentes países da América Latina, como Bolívia, Chile, Colômbia e Equador.
Protestos no Chile
Manifestante usa curativo para olho em protesto para apoiar Gustavo Gatica, jovem cego após ser atingido nos olhos durante manifestação no Chile
Jorge Silva/Reuters
A onda de violência em protestos no Chile deixou 23 mortos e milhares de feridos — alguns deles com ferimentos nos olhos e mesmo cegueira irreversível. Houve denúncias de abuso por parte de policiais (veja no vídeo abaixo):
Policiais cometeram crimes na repressão a protestos no Chile, diz Human Rights Watch
ENTENDA: Onda de protestos no Chile começou em manifestação contra aumento
As manifestações ainda levaram o presidente Sebastián Piñera a aceitar a convocação de uma constituinte. Além disso, os parlamentares aceitaram cortar os próprios salários pela metade, sob pressão dos manifestantes.
Para a economia, o resultado foi desastroso: o Produto Interno Bruto caiu 3,4% em outubro na comparação com o mesmo período do ano anterior.
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