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Momento decisivo para o reformista Macron

por Portal Click Política




Greve geral testa persistência do presidente francês em levar adiante seu principal compromisso: a reforma do complexo sistema previdenciário do país. Manifestantes caminham nesta quinta-feira (5) pelas ruas de Paris, na França, para protestar contra o projeto de reforma da previdência proposto pelo governo de Emmanuel Macron
Alain Jocard / AFP
Uma greve geral contra a reforma da previdência na França testa o futuro político de Emmanuel Macron. A adesão e o tempo de duração do movimento dirão se o presidente francês seguirá adiante com seu principal compromisso da campanha que o elegeu em 2017 — unificar um sistema de 42 planos diferentes de pensão.
Se sucumbir à pressão popular, ele corre o risco de transformar-se no que os que os americanos chamam de presidente pato manco — aquele que tem poder de direito, mas não o exerce de fato.
O governo conta com a paralisação do sistema de transportes — o principal motor da greve geral — até o fim de semana. Se prosseguir a partir de segunda-feira, é indício de sérios problemas para Macron. O presidente começará a navegar nas mesmas águas turbulentas de 1995, quando o governo do premiê Alain Juppé foi forçado a recuar da tentativa de reformar a previdência, após enfrentar três semanas ininterruptas de paralisação.
Ainda sob o trauma causado pelos protestos semanais dos chamados “coletes amarelos”, há um ano, Macron tenta agora diluir qualquer semelhança que evoque nos franceses a memória dos protestos de 1995.
Sexta economia do mundo, a França registra também um dos sistemas previdenciários mais generosos. Ele permite, por exemplo, que algumas categorias de ferroviários se aposentem aos 52 anos; faz com que o índice de pobreza entre os idosos seja de apenas 7%, um dos mais baixos da União Europeia.
Pelas contas do governo, contudo, os gastos com pensões consomem 14% da produção econômica e gerarão até 2025 um déficit de US$ 19 bilhões aos cofres públicos. Assim, Macron vem reduzindo benefícios do chamado Estado do Bem-Estar Social, como duração do seguro-desemprego e estabilidade. A reforma previdenciária seria, então, a última e mais complexa barreira.
Presidente da França, Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu, em Paris, em setembro
Ludovic Marin/AFP
Além da unificação dos vários planos para acabar com o que define como discrepâncias injustas, o presidente propõe um sistema de cálculo para a aposentadoria no qual os trabalhadores acumulariam pontos ao longo da vida profissional e não mais sobre a base dos melhores 25 anos, para os do setor privado, e dos últimos seis meses, para os funcionários públicos.
Centrais de trabalhadores combatem o sistema previdenciário universal e alegam que a sua implementação fará com que aposentados reduzam pensões e postergará também a idade da aposentadoria para além da média dos atuais 62 anos.
Ao contrário de 1995, a reforma, hoje, é um fator de divisão no país. Uma pesquisa recente indicou 76% dos entrevistados favoráveis a mudanças no sistema de aposentadorias, mas, por outro lado, 64% disseram não confiar no governo Macron para executá-la.
O presidente conseguiu elevar para 30% o índice de popularidade no último ano, quando foi acusado de arrogante por ter ignorado as demandas dos “coletes amarelos”. O que começou como a rejeição de uma taxa de carbono sobre o preço do combustível rapidamente alastrou-se com bandeiras difusas.
A persistência do movimento forçou o governo a congelar o imposto e a fazer concessões que não estavam previstas, como o aumento do salário mínimo. E obrigou o presidente a aproximar-se dos insatisfeitos.
Ainda que a greve geral iniciada nesta quinta-feira não seja capitaneada por “coletes amarelos”, as simbólicas vestimentas sobressaíam nos confrontos registrados nas ruas de Paris. Desta vez, para o bem de seu futuro político, Macron não pode correr o risco de afastar-se da imagem de presidente reformista.

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