Em rede nacional, Macri admite que Argentina não superou crise: ‘Muitas dificuldades que não conseguimos resolver’




Presidente do país vizinho entrega o cargo ao peronista Alberto Fernández em 5 dias. Macri na Cúpula do Mercosul em Bento Gonçalves
AFP/Carl de Souza
O presidente em final de mandato da Argentina, Mauricio Macri, admitiu nesta quinta-feira (6) os magros resultados econômicos do seu governo, em uma avaliação da sua administração cinco dias antes de entregar o mandato ao peronista Alberto Fernández.
“Lamento que os resultados das nossas reformas econômicas não tenham chegado a tempo e por não conseguirmos nos recuperar da crise”, disse o presidente, relevando sua “frustração”.
“Não parto satisfeito com o crescimento da economia no meu mandato e com os resultados da luta contra a inflação e a pobreza”, disse o presidente liberal em rede nacional de TV.
A Argentina atravessa uma recessão econômica desde o segundo trimestre do ano passado, com uma queda do PIB estimada em 3,1% segundo o Fundo Monetário Internacional.
O país também enfrenta dificuldades para pagar o empréstimo que Macri pegou em 2018 com o FMI totalizando US$ 57 bilhões.
“Nestes quatro anos ocorreram muitas dificuldades que não conseguimos resolver”, admitiu o presidente de um país onde a inflação foi de 42,2% entre janeiro e outubro de 2019, em meio ao desemprego e pobreza crescentes.
A pobreza atingia 35,4% da população no primeiro semestre deste ano, segundo números oficiais.
Mas Macri se disse “convencido de que estamos melhor do que há quatro anos” e se comprometeu a trabalhar na oposição apoiando “as propostas sensatas”.
“Vou demonstrar, a partir da próxima semana, que se pode fazer uma oposição de forma construtiva, sempre pensando no que é melhor para os argentinos”.
Macri destacou que “pela primeira vez em 100 anos um governo não peronista e com minoria nas duas Câmaras consegue terminar seu mandato”, um sucesso democrático.
“Nossa Justiça é mais independente e nossa imprensa, mais livre”, disse Macri, assegurando que melhorou o funcionamento do Estado e das instituições.
“Após quatro anos de reformas, deixamos um Estado onde é muito mais difícil roubar o dinheiro dos argentinos. Sempre haverá corruptos e ladrões, em todos os governos, mas o Estado tem que garantir que deixem suas digitais para poder agarrá-los”, afirmou.

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