Início Mundo França enfrenta 3º dia de paralisação nos transportes em protesto contra reforma da previdência

França enfrenta 3º dia de paralisação nos transportes em protesto contra reforma da previdência

por Portal Click Política




Nove das 15 linhas do metrô de Paris estão totalmente fechadas neste sábado e, nas demais, o tráfego é muito limitado. Greve dos transportes na França entra no terceiro dia
A mobilização na França contra a proposta do governo de reforma previdenciária entra neste sábado (7) em seu terceiro dia. A greve paralisa especialmente os transportes.
Nove das 15 linhas do metrô de Paris estão totalmente fechadas neste sábado e, nas demais, o tráfego é muito limitado.
No transporte aéreo, este sábado está sendo mais calmo do que quinta e sexta-feira: são esperados apenas atrasos e alguns atrasos, segundo a Direção Geral de Aviação Civil.
Na quinta-feira (5), as manifestações reuniram cerca de 800 mil pessoas em todo o país, ou seja, mais pessoas do que nos primeiros dias dos massivos movimentos sociais de 1995, 2003 e 2010.
“Demos um grande golpe, estamos gerando uma dinâmica”, comemorou o líder do sindicato Força Operária (FO), Yves Veyrier, antes de uma reunião inter-sindical que convocou uma nova mobilização nas ruas da França na próxima terça-feira (10).
Placas exibem informações sobre a greve na estação de trem Gare de l´Est, em Paris, neste sábado (7)
François Mori/AP
A mobilização é contra um “sistema universal” de aposentadoria, que o governo planeja colocar em prática para substituir os atuais 42 regimes de aposentadoria existentes (geral, funcionários públicos, setor privado, especiais, autônomos, complementares).
O Executivo francês promete um dispositivo “mais justo”, mas aqueles que se opõem a ele – quase todos os sindicatos, a oposição de esquerda – temem uma “precarização”.
A aposentadoria é uma questão muito delicada na França. Os opositores mais radicais esperam que a mobilização dure e o país fique paralisado, como aconteceu em dezembro de 1995. A greve durou três semanas e obrigou o governo a recuar.
Dias decisivos
Para o presidente Macron, que fez da “transformação” da França a essência de seu mandato, os próximos dias serão decisivos.
O Executivo enfrenta um sério desafio em um contexto social já muito tenso, com a mobilização sem precedentes dos “coletes amarelos” há mais de um ano e o descontentamento exacerbado nos hospitais e prisões, ou entre professores, ferroviários, agricultores e policiais.
Além disso, essa greve cria tensão entre os usuários do transporte público, principalmente nas grandes cidades, como na região de Paris.
O projeto de reforma ainda não foi totalmente revelado – embora vários de seus princípios tenham sido avançados – e o primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, prometeu que divulgaria na quarta-feira “a integralidade do projeto do governo”.
Philippe acrescentou que não se insere em uma “lógica de confronto”.
“Nada muda no objetivo do governo: acabar com nosso sistema solidário para substituí-lo por um sistema individualizado onde todos perdem”, lamentou a CGT, outro dos principais sindicatos do país.
Enquanto isso, os usuários do transporte público continuarão tendo muitas dificuldades em se locomover.

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