Clima de referendo no Reino Unido




Brexit dá as cartas em eleições que definirão novo premiê britânico. Ciclistas passam por banner com a frase ‘tire o sorriso dos rostos deles’, do Partido Liberal Democrata, em Londres na terça-feira (10), às vésperas da quarta eleição em quatro anos no Reino Unido.
Srdjan Nedeljkovic/AP
O divórcio não consumado com a União Europeia empurrou os britânicos para a quarta eleição em quatro anos e para uma disputa entre atores mais do que conhecidos — o atual primeiro-ministro, Boris Johnson, e o líder trabalhista, Jeremy Corbyn. Mas a principal decisão embutida no voto desta quinta-feira (12) ainda é o Brexit: o vencedor estipulará se o Reino Unido sairá da UE em janeiro e como se relacionará com o bloco no futuro.
A impopularidade aproxima os dois candidatos, que oferecem soluções distintas ao eleitor para tirar o país do impasse em que mergulhou. Com o premiê, o Brexit é irrevogável. Com o líder da oposição, pode ser renegociado e até submetido a novo referendo.
O maior risco da eleição é que seu resultado seja mais do mesmo. Em outras palavras, a vitória de um partido sem maioria sólida no Parlamento. Essa perspectiva reflete um eleitor cansado para o retorno às urnas sob um frio rigoroso e no meio da temporada de confraternizações de fim do ano.
Boris Johnson prepara uma torta em uma cozinha em Derby, na Inglaterra, nesta quarta-feira (11), com um avental que diz ‘realize o Brexit’.
Ben Stansall / AFP / Pool
Johnson tenta finalmente legitimar-se primeiro-ministro por meio de uma eleição geral. Em julho passado, assumiu o cargo como líder dos conservadores, após a renúncia de Theresa May. Tentou emplacar o Brexit a qualquer custo, mas enfrentou uma rebelião da ala moderada do partido e sucessivas e humilhantes derrotas no Parlamento.
Ainda assim, o premiê leva vantagem nas pesquisas, em alguns casos de até dez pontos de diferença. Essa vantagem, contudo, vem se estreitando na reta final da campanha graças a mais uma gafe de Johnson. Solicitado por um repórter, ele recusou-se a olhar para a foto publicada por um tabloide, que exibia uma criança dormindo no chão de um hospital, por falta de leitos. Recuou e mostrou-se indignado, mas a reação tardia repercutiu negativamente.
O líder da oposição, Jeremy Corbyn.
Andy Buchanan / AFP
O premiê se favorece de um líder trabalhista que desperta mais desconfiança do que ele. Corbyn se define como socialista, promete criar mais empregos no setor público e nacionalizar alguns serviços, como água e eletricidade. As visões radicais o afastam do eleitor trabalhista moderado.
E pairam sobre ele acusações de antissemitismo e de ser condescendente com a sua disseminação dentro do partido. Desde que foi eleito líder trabalhista, em 2015, Corbyn enredou-se em polêmicas com a comunidade judaica e perdeu doadores de peso. Mostrou-se ambíguo no combate ao antissemitismo: ao mesmo tempo em que tentou descolar-se do rótulo, demorou a reconhecer a falta de firmeza com o discurso radical nas fileiras trabalhistas.
Dois líderes sem prestígio põem os principais partidos em apuros e favorecem os menores, que correm por fora. Os liberais democratas, por exemplo, prometem revogar por completo o Brexit. O apelo ao voto útil intensificou-se nas últimas semanas motivado pela seguinte tese: independentemente do candidato, o que importa para o eleitor é se quer ficar ou sair do bloco europeu. Afinal, o clima é de referendo e não de eleição geral.

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