COP 25: veja repercussão do acordo que adiou para 2020 decisões sobre combate ao aquecimento global




Entre os pontos positivos da conferência da ONU sobre o clima, segundo especialistas, estão a mobilização da sociedade civil pedindo ações concretas. Entre os negativos, o fracasso em regulamentar o mercado de créditos de carbono. Considerado “minimalista”, “frustrante” ou “oportunidade perdida” por participantes e observadores, o texto final da conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP 25, adia para 2020 a tomada de decisões sobre ações coordenadas entre países contra o aquecimento global.
Se, por um lado, os quase 200 países participantes concordaram em apresentar “compromissos mais ambiciosos” para reduzir as emissões de gases poluentes no ano que vem, por outro lado não conseguiram agir com o mesmo senso de urgência exigido pela comunidade científica e grupos de jovens que protestaram em todo o mundo, inspirados pela ativista Greta Thunberg.
Essa mobilização da sociedade civil foi, por sinal, apontada por especialistas como um dos principais pontos positivos desta COP, diferenciando-a das outras 24 edições do evento.
No entanto, decisões como a regulamentação do mercado de carbono e outros mecanismos de cooperação entre países ficaram pendentes por mais um ano.
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Veja, abaixo, a reação de alguns pesquisadores, ambientalistas e autoridades sobre o fim da COP 25.
Participante da COP 25 descansa em 14 de dezembro de 2019. Conferência foi a mais longa até hoje e terminou com dois dias de atraso
Manu Fernandez/AP
Carolina Schmidt, ministra do Meio Ambiente do Chile
“É triste que não tenhamos chegado a um acordo final [sobre o mercado de carbono]”, disse a ministra chilena e presidente da COP 25. “Estivemos muito perto”, acrescentou, dizendo que o objetivo era estabelecer mercados “robustos e ambientalmente sustentáveis”.
Ministra do meio ambiente do Chile, Carolina Schmidt
Manu Fernandez/AP
Jennifer Morgan, diretora-executiva do Greenpeace International
“O Acordo de Paris pode ter sido a vítima de uma disputa entre um pequeno grupo de economias poderosas que emitem carbono. Mas eles estão no lado errado desse confronto, no lado errado da história”, afirmou Morgan. “Países que criaram obstáculos para o clima, como Brasil e Arábia Saudita, autorizados por uma liderança chilena irresponsavelmente fraca, mendigaram acordos sobre carbono e atropelaram cientistas e a sociedade civil.”
Helen Mountford, do World Resources Institute (WRI)
“Dados os elevados riscos de diversas brechas discutidas em Madri, foi melhor atrasar do que aceitar regras que comprometeriam a integridade do Acordo de Paris”, avalia. “Essas negociações refletem o quanto líderes dos países estão desconectados do sentido de urgência apontado pela ciência e das demandas de seus cidadãos nas ruas. Eles precisam acordar em 2020.”
António Guterres, secretário-geral da ONU
“Estou decepcionado. A comunidade internacional perdeu uma importante oportunidade para mostrar uma maior ambição para mitigação, adaptação e finanças para combater a crise climática. Não podemos desistir, e eu não vou desistir.”
O secretário geral da ONU, António Guterres, fala a jornalista na sede da entidade, em Nova York, na quarta-feira (18)
Reuters/Carlo Allegri
Esta reportagem está em atualização.

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