Aiatolá do Irã ordenou repressão a protestos, segundo agência: ‘Faça o que for preciso para acabar com isso’




Fontes do governo iraniano afirmaram à Reuters que cerca de 1,5 mil pessoas morreram na repressão às manifestações, iniciadas em novembro. Banco queimado durante violência em protestos contra o governo do Irã, em foto de 20 de novembro
Nazanin Tabatabaee/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS
O aiatolá Ali Khamenei, considerado líder supremo do Irã, ordenou a repressão aos protestos que tomaram o país no último mês, informou a agência Reuters nesta segunda-feira (23). Reunindo os principais oficiais de segurança e autoridades do governo, ele emitiu uma ordem:
“Faça o que for preciso para que isso pare”.
O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã.
Morteza Nikoubazl/Reuters
A ordem, confirmada por três fontes próximas ao círculo interno do líder supremo e uma outra autoridade, colocou em prática a mais sangrenta repressão a manifestantes desde a Revolução Islâmica de 1979. 
Cerca de 1,5 mil pessoas foram mortas durante menos de duas semanas de convulsão social, que começou em 15 de novembro. O número, disponibilizado à Reuters por três autoridades do Ministério do Interior iraniano, incluíram ao menos 17 adolescentes, 400 mulheres e também membros das Forças de Segurança e da polícia. 
O número de 1,5 mil é significativamente mais alto que os números de grupos internacionais de Direitos Humanos e dos Estados Unidos. Um relatório da Anistia Internacional do dia 16 de dezembro disse que o número de mortos era de ao menos 304. 
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Posto de gasolina destruído em Teerã, capital do Irã, em meio aos protestos que ocorrem no país contra aumento nos preços de combustíveis
Abdolvahed Mirzazadeh/ISNA via AP
O Departamento de Estado dos Estados Unidos, em nota à Reuters, disse estimar que “muitas centenas de iranianos” foram mortos, e que havia visto relatos que o número de vítimas fatais podia superar mil. 
Os dados fornecidos à Reuters, segundo autoridades iranianas que os disponibilizaram, são baseados em informações reunidas com as forças de segurança, necrotérios, hospitais e legistas. 
O gabinete do porta-voz do governo se recusou a comentar se as ordens vieram de Khamenei na reunião de 17 de novembro. A missão do Irã para a ONU não respondeu a um pedido de comentários sobre esse caso. 
Governo nega número de mortos
Manifestantes favoráveis ao governo do Irã saíram às ruas nesta segunda-feira (25)
Atta Kenare/AFP
Em comunicado na segunda-feira, seguindo a publicação do artigo, um porta-voz do Conselho Iraniano Supremo Nacional de Segurança descreveu o número de mortos como uma “notícia falsa”, de acordo com a agência de notícias semi-oficial Tasnim. 

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