Greve de transportes na França bate recorde sem solução à vista




Sindicatos convocaram uma nova mobilização nacional para 9 de janeiro e, a partir da próxima segunda-feira (6), estão previstas manifestações de várias categorias de profissionais liberais, como os advogados, e no setor petroleiro. Guichês do metrô de Paris fechados, em 2 de janeiro de 2020
Stephane De Sakutin / AFP
A greve nos transportes na França contra a reforma da Previdência entrou em seu 29º dia nesta quinta-feira (2), um recorde histórico, com as negociações bloqueadas e a previsão de novas mobilizações na próxima semana.
A trégua durante as festas de fim de ano permitiu um cenário melhor nesta quinta (2), com apenas uma linha de metrô totalmente fechada em Paris e 50% dos trens de alta velocidade em circulação no país.
Greve nos transportes da França chega ao vigésimo dia
No inverno de 1986-1987, os funcionários da empresa nacional de ferrovias (SNCF) permaneceram em greve por 28 dias.
Quase 200 manifestantes se reuniram hoje na frente de uma refinaria em Donges (oeste do país) e bloquearam as saídas.
Imagem da greve geral de 1995 em Lyon, na França
Philippe Desmazes / AFP
Os sindicatos convocaram uma nova mobilização nacional para 9 de janeiro e, a partir da próxima segunda-feira (6), estão previstas manifestações de várias categorias de profissionais liberais, como os advogados, e no setor petroleiro.
O sindicato CGT quer organizar bloqueios a partir de terça-feira em refinarias e depósitos de combustíveis.
O secretário-geral da CGT, Philippe Martinez, pediu a participação de todos os franceses na paralisação.
A secretária de Estado de Economia, Agnès Pannier-Runacher, criticou este tipo de mobilização e afirmou que o “bloqueio de refinarias é ilegal”.
Na mensagem de fim de ano, o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu um “compromisso rápido” entre o governo e os sindicatos.
O governo aposta em buscar uma solução negociada com os sindicatos mais reformistas (CFDT, CFTC e Unsa).
Reunião dos regimes de pensão
O estopim da greve foi o projeto de reforma da Previdência, que pretende unir os 42 regimes de pensões existentes em um sistema único e aumentar em dois anos (de 62 para 64 anos) a idade mínima para receber a aposentadoria integral.
Essa última questão, que Macron não abordou em sua mensagem, é um dos principais obstáculos nas negociações. Segundo o líder do CFDT, Laurent Berger, esta é uma “linha vermelha”.
Desde 2013, existe um sistema que calcula a dificuldade de determinadas profissões com base em vários critérios. Entre eles, o transporte de cargas pesadas, o uso de agentes químicos perigosos, ou trabalhar com as vibrações de máquinas.
Em 2017, porém, algumas condições foram retiradas da lista após os protestos dos sindicatos, que agora desejam manter a pressão a respeito da insalubridade de alguns empregos.
“Quando você tem uma carreira longa, já tem uma idade de aposentadoria diferente. A dificuldade (do trabalho) tem que ser levada em consideração”, afirmou a ministra da Transição Ecológica, Élisabeth Borne.
Ela alegou, contudo, que é necessário aumentar em dois anos a idade da aposentadoria para manter o equilíbrio financeiro do Estado.
A idade legal de aposentadoria continuará sendo de 62 anos, mas o trabalhador terá que esperar até os 64 (medida que será aplicada a partir de 2027) para receber a pensão integral.
O projeto de reforma da Previdência deve ser apresentado ao conselho de ministros em 22 de janeiro.

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