Dissidente apoiado por Maduro desbanca liderança de Juan Guaidó no Parlamento venezuelano




Impedido de participar da votação, Guaidó denuncia golpe contra o Legislativo. Juan Guaidó tenta entrar na Assembleia Nacional venezuelana durante votação neste domingo (5)
AP Photo/Matias Delacroix
De Caracas chega novo alerta de golpe – palavra pronunciada à exaustão tanto por chavistas quanto por opositores para denunciar a esdrúxula realidade em que o país está afundado.
Desta vez, o palco da arbitrariedade é a Assembleia Nacional da Venezuela, a única instituição dominada pela oposição, após a controversa eleição do dissidente Luis Parra, agora aliado de Maduro, como presidente.
A votação ocorreu na ausência do atual líder da oposição, Juan Guaidó, impedido, com outros 40 deputados de entrar no prédio. O cerco policial no entorno do Parlamento barrou a entrada de deputados, diplomatas e jornalistas de órgãos independentes.
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Autoproclamado presidente interino do país há um ano, Guaidó buscava a reeleição numa situação de fragilidade para a oposição. Cerca de 50 deputados estão presos, processados ou foram forçados a partir para o exílio.
Outro grupo de opositores de legendas diversas foi cooptado pelo chavismo, concordando em beneficiar empresários ligados ao governo Maduro num esquema de corrupção vinculado ao sistema de distribuição de alimentos subsidiados.
O escândalo foi divulgado há um mês pelo portal investigativo Armando.info. Devastou o campo opositor, na medida que alguns de seus integrantes compactuaram com as mesmas práticas denunciadas insistentemente por Guaidó.
Reconhecidos por mais de 60 países, o líder da oposição prometeu investigação, mas os danos provocados pelo suborno de deputados eram irreversíveis à bancada fraturada.
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O deputado Luis Parra, do Partido Primero Justicia, é um dos que teriam participado das manobras e bandearam para o lado do governo. Enquanto o autoproclamado presidente interino do país tentava escalar as grades do prédio, Parra se declarava novo presidente do Parlamento, após uma votação aparentemente sem quórum e questionada.
Guaidó qualificou os dissidentes como traidores e pseudo deputados, reverberando a nova tentativa de golpe ao Legislativo. Ele classificou como ilegítima a nova composição do Parlamento, que representava o último reduto institucional do país ainda não controlado por Maduro. Ao menos até a tarde deste domingo.

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