Merkel e Putin vão se encontrar para discutir Oriente Médio; Otan convoca reunião




União Europeia lamenta que Irã tenha decidido desrespeitar os limites do acordo nuclear. Imagem do velório de Qassem Soleimani em Teerã, em 6 de janeiro de 2020
Nazanin Tabatabaee/WANA/ Via Reuters
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, reúne-se no próximo sábado (11), em Moscou, com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, informou o governo alemão nesta segunda-feira (6), acrescentando que a principal pauta do encontro é a crise entre Estados Unidos e Irã.
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Merkel e Putin também vão tratar de “assuntos da atualidade, sobretudo, de Síria, Líbia, Iraque e Ucrânia”, afirmou Steffen Seibert, porta-voz do governo alemão em uma entrevista coletiva de rotina, em Berlim.
Aumento da tensão no Oriente Médio procupa líderes europeus
O ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas, fez comentários sobre a situação no Oriente Médio nesta segunda-feira (6): as ameaças do presidente americano, Donald Trump, com represálias “importantes” contra o Irã e sanções ao Iraque “não são de grande ajuda”, disse ele.
“Não acredito que se possa convencer o Iraque com ameaças, mas com argumentos”, defendeu Maas, em entrevista à rádio pública Deutschlandfunk.
Para o chefe da diplomacia alemã, tudo o que as principais potências ocidentais fizeram para reconstruir o Iraque “corre o risco de se perder, se a situação continuar evoluindo desta maneira”.
No domingo (5) à noite, Trump ameaçou Teerã com “represálias importantes”, e Bagdá, com grandes sanções, depois de uma votação no Parlamento iraquiano a favor de expulsar as tropas americanas do país.
Europeus reagem a possibilidade do fim do acordo nuclear
O anúncio do Irã de que abandonará as limitações ao enriquecimento de urânio pode ser o primeiro passo rumo ao fim do acordo nuclear firmado em 2015 pela República Islâmica com grandes potências, disse Maas.
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Já se esperava que o Irã anunciasse o posicionamento mais recente sobre o acordo neste final de semana, mas a declaração coincidiu com o agravamento das hostilidades com os Estados Unidos após o assassinato do comandante militar iraniano Qassem Soleimani em um ataque de drone norte-americano na sexta-feira (3), em Bagdá.
“Definitivamente voltaremos a conversar com o Irã. O que foi anunciado, entretanto, não é condizente com o acordo”, disse Maas à rádio Deutschlandfunk, acrescentando que autoridades alemãs, francesas e britânicas debaterão a situação nesta segunda-feira (6).
“(A situação) não ficou mais fácil, e este pode ser o primeiro passo para o fim do acordo, o que seria uma grande perda, então pesaremos isso de forma muito, muito responsável agora”, acrescentou.
A televisão estatal iraniana disse que o Irã não respeitará quaisquer limites estabelecidos no pacto para suas atividades nucleares — entre eles limites ao número de centrífugas de enriquecimento de urânio, sua capacidade de enriquecimento, o nível em que o urânio pode ser enriquecido, a quantidade de urânio enriquecido armazenado e suas atividades de pesquisa e desenvolvimento nuclear.
O Irã já violou vários limites do acordo às suas atividades nucleares em reação à saída dos EUA do pacto em 2018 e à reativação de sanções norte-americanas que vêm prejudicando o comércio de petróleo do Irã.
Conforme o acordo nuclear, Teerã concordou em limitar suas atividades nucleares em troca da suspensão da maioria das sanções internacionais.
Em comunicado, o governo do país assinalou, no entanto, que “a cooperação do Irã com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, que fiscaliza o programa nuclear de Teerã) será mantida”.
Segundo o governo, “por causa” de sua decisão sobre as centrífugas, “já não resta nenhum obstáculo que dificulte o programa nuclear do país no plano operacional”, trate-se da “capacidade de enriquecimento, do nível de enriquecimento, da quantidade de material enriquecido ou da pesquisa e desenvolvimento”.
Ainda assim, Teerã assinalou que “o programa nuclear do Irã, a partir de agora, irá se desenvolver apenas com base nas necessidades técnicas do país”.
Até agora, o Irã vinha indicando que precisava enriquecer urânio em torno de não mais do que 5%, nível suficiente para produzir o combustível necessário para produzir eletricidade em uma central nuclear.
O comunicado não explica se as necessidades técnicas do país mudaram.
Indagado sobre a decisão iraniana de recuar ainda mais em seus compromissos com o pacto, Maas respondeu: “Esta é uma decisão que torna a situação já difícil ainda mais difícil. Ninguém quer que o Irã adquira armas nucleares”.
União Europeia lamenta
O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, disse nesta segunda-feira (6) que lamenta profundamente o anúncio do Irã sobre elevar os limites do enriquecimento de urânio.
“A aplicação completa do acordo nuclear por todos agora é mais importante do que nunca, para a estabilidade regional e a segurança global”, escreveu Borrell em uma rede social.
Otan convoca reunião extraordinária
Os embaixadores dos países da OTAN se reúnem nesta segunda-feira (6) para tratar da crise entre Estados Unidos e Irã – informou um porta-voz da organização à AFP.
“O secretário-geral (Jens Stoltenberg) decidiu organizar esta reunião de embaixadores da OTAN após discutir o assunto com seus aliados”, disse o porta-voz, em um e-mail enviado à AFP.

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