Boeing divulga mensagens de funcionários sobre o 737 MAX: ‘projetado por palhaços’




Diálogos foram entregues pela própria companhia aérea ao Congresso dos EUA e à FAA. Modelo está proibido de voar e teve a produção interrompida após a 2 acidentes matarem 346 pessoas. Funcionário trabalho próximo a um Boeing 737 MAX em Renton, nos EUA, em 16 de dezembro de 2019.
REUTERS/Lindsey Wasson
A companhia aérea Boeing divulgou na quinta-feira (9) mensagens internas de funcionários com comentários sobre o desenvolvimento do modelo 737 MAX, incluindo diálogos que diziam que o avião foi “projetado por palhaços e supervisionados por macacos”. O conteúdo das mensagens foi reproduzido pela agência Reuters e pelo jornal The New York Times.
O Boeing 737 MAX está proibido de voar em todo o mundo depois que dois acidentes fatais mataram 346 pessoas. O modelo, que era o mais vendido da companhia, teve sua produção interrompida neste mês.
As conversas foram enviadas pela própria Boeing para o Congresso dos Estados Unidos e para a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA, na sigla em inglês). Segundo a Reuters, a companhia justificou a divulgação das mensagens como parte do “compromisso com a transparência”. A Boeing afirmou ainda que os diálogos não representam a empresa e são “completamente inaceitáveis”.
Mensagens e e-mails
Segundo a Reuters, nas centenas de mensagens de textos e e-mails divulgadas pela Boeing, os funcionários ridicularizam a aeronave e zombam da FAA. Os empregados não foram identificados.
Em 8 de fevereiro de 2018, quando o avião estava no ar e 8 meses antes do primeiro acidente fatal, um funcionário pergunta a outro:
“Você colocaria sua família em um simulador do MAX?”
O outro empregado responde:
“Eu não.”
Segundo a Reuters, funcionários da Boeing trocaram ainda mensagens com reclamações sobre o 737 MAX após problemas com o computador de gerenciamento de voo. Em uma das conversas, eles dizem:
“Este avião é projetado por palhaços, que por sua vez, são supervisionados por macacos.”
O jornal The New York Times divulgou outra mensagem em que um empregado da Boeing diz:
“Eu não fui perdoado por Deus pelo que eu acobertei ano passado.”

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