Macron desafia sindicatos com aumento de idade mínima em reforma da Previdência



A reforma proposta pelo presidente Emmanuel Macron para simplificar a sistema previdenciário do país é a maior desde a Segunda Guerra Mundial. Da esquerda para a direita: Xavier Bettel, primeiro-ministro de Luxemburgo; Emmanuel Macron, Gauthier Destenay, marido de Bettel, e Brigitte Macron, em imagem do dia 10 de janeiro de 2020
Philippe Lopez/Pool via Reuters
O governo da França desafiou as centrais sindicais nesta sexta-feira (10), ao incluir uma cláusula contestada para aumentar a idade mínima de aposentadoria em dois anos em sua proposta de reforma da Previdência, no momento em que os protestos de rua e greves parecem estar perdendo ímpeto após semanas de mobilização.
A reforma proposta pelo presidente Emmanuel Macron para simplificar a sistema previdenciário do país é a maior desde a Segunda Guerra Mundial, e crucial para sua ambição de tornar a força de trabalho mais flexível e competitiva globalmente.
Mas o projeto enfureceu os sindicatos, que argumentam que a reforma erodirá benefícios conquistados duramente e deixará os pensionistas em situação pior.
O projeto de lei, que será enviado aos administradores da Previdência francesa para apreciação nesta sexta-feira (10), diz que a idade de aposentadoria para uma pensão integral será elevada progressivamente para chegar a 64 “para a geração de 1965 que se aposentará a partir de 2027”.
Segundo a proposta, a idade de aposentadoria continuará sendo de 62 anos, mas os trabalhadores que saírem a esta altura não receberão a pensão integral.
“Não poderíamos ter um texto que silencia sobre a idade (para um orçamento previdenciário equilibrado)”, disse Laurent Pietraszewski, secretário de Estado para Pensões, à Reuters. “Isso está no cerne da reforma”.
Maior reforma desde o pós-guerra
Se Macron sair vencedor do confronto de semanas de duração, terá ido mais longe do que qualquer líder francês do pós-guerra na reformulação do sistema previdenciário.
Mas as negociações entre os sindicatos e o primeiro-ministro, Édouard Philippe, continuariam nesta sexta-feira. Ainda é possível que os planos sejam amenizados, já que o governo quer romper o impasse.
Sindicatos estão pedindo que o governo descarte o projeto de lei. A central sindical CFDT, que é a maior do país e dá atenção especial à reforma, está aberta ao sistema universal de “pontos” em planejamento, mas diz que o aumento da idade de aposentadoria “cruza uma linha vermelha”.
Os sindicatos levaram centenas de milhares de manifestantes às ruas de toda a França na quinta-feira, mas o comparecimento foi inferior ao de protestos anteriores e seu ímpeto começa a vacilar. A participação nas greves, hoje em seu 370 dia, recuou e o apoio público caiu, de acordo com pesquisas de opinião.
Philippe concordou em buscar uma maneira de equilibrar o orçamento previdenciário que não seja aumentar a idade de aposentadoria enquanto o projeto de lei é avaliado pelo Parlamento.
Veja reportagem sobre reação de sindicatos às primeiras propostas de Macron.
Governo da França apresenta plano de reforma da Previdência após sete dias de greve

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