A largada na disputa democrata




Debate em Iowa marca início da corrida para valer. Escolha se encaminha para enfrentamento entre Joe Biden e Bernie Sanders. Elizabeth Warren e Pete Buttigieg correm por fora O ex-vice-presidente Joe Biden e o senador Bernie Sanders durante debate entre os pré-candidatos democratas à presidência dos EUA, em Miami, Flórida, no dia 27 de junho
Reuters/Mike Segar
O debate entre os pré-candidatos democratas hoje à noite em Des Moines, no estado de Iowa, marca a largada para valer da corrida eleitoral nos Estados Unidos. A disputa pela escolha do rival de Donald Trump já afunilou e deverá afunilar ainda mais nas próximas semanas.
O excesso de postulantes gerou ruído e tumulto na maioria dos debates realizados ao longo do ano passado. Dos 27 que estavam na corrida, 15 já desistiram (o último foi o senador Cory Booker, nesta semana). Apenas seis se qualificaram para o debate de hoje, com base no critério que mistura desempenho em pesquisas e doações individuais. Desses seis, apenas quatro têm chances reais.
A disputa se encaminha para um embate entre dois: o ex-vice-presidente Joe Biden e o senador Bernie Sanders. Biden aparece na frente nas pesquisas, com uma média nacional em torno de 27%. Sanders tem em torno de 19%, seguido de perto pela senadora Elizabeth Warren (16%) e pelo prefeito de South Bend, em Indiana, Pete Buttigieg (9%). Mas esses números estão longe de garantir o favoritismo ao ex-vice de Obama.
O sistema de escolha dos candidatos nos Estados Unidos envolve uma sequência de prévias ao longo de todo este semestre. Cada estado distribui delegados à convenção na proporção do resultado total no estado e em cada distrito. As prévias não ocorrem em todos os estados no mesmo dia. Leva vantagem quem vence nos primeiros estados.
Respeitando a tradição, as prévias deste ano começam lá mesmo em Iowa no próximo dia 3 de fevereiro. Em vez de uma votação comum, os eleitores de Iowa manifestam sua escolha nas reuniões abertas conhecidas como “caucus”. Nessas convenções, vence o candidato que reúne a maior quantidade de eleitores num dos cantos do salão.
Pelas regras, são eliminados os candidatos que obtêm menos de 15% das preferências numa rodada de escolha. Na seguinte, seus partidários podem caminhar até o grupo de outro candidato que permanece na disputa. A coreografia insólita de gente andando para lá e para cá acaba apenas quando todos os candidatos têm mais de 15%.
Uma semana depois de Iowa, no dia 11, New Hampshire vota em primárias normais. No dia 22, é a vez de Nevada definir sua escolha também em “caucus”. No sábado seguinte, dia 29, a Carolina do Sul realiza primárias. Até o fim de fevereiro estarão distribuídos apenas 155 dos 3.975 delegados que votarão na primeira rodada da convenção de Milwaukee que escolhará o candidato em julho.
Apenas no dia 3 de março serão escolhidos outros 1.357 delegados, praticamente definindo o resultado da disputa. Há 16 prévias previstas para aquele dia, apelidado Super-Terça. Numa disputa tão fragmentada, os quatro primeiros estados apontam quem tem chance real de se destacar na Super-Terça e de levar a candidatura.
A preferência por Biden está relativamente bem distribuída no país. Em Iowa, contudo, Sanders aparece em primeiro na última pesquisa. Biden caiu para quarto, atrás de Warren e Buttigieg. Como os quatro estão entre 15% e 20%, impossível prever quem será eliminado pelo critério que corta os que reúnem menos de 15% dos eleitores.
O modelo estatístico desenvolvido pelo site FiveThirtyEight dá ligeira vantagem a Sanders em Iowa. Em New Hampshire, o favoritismo de Sanders é ainda mais claro. Se vencer nesses dois estados, ele deverá despontar como o favorito a desafiar Biden, deixando tanto Warren como Buttigieg em segundo plano. Tanto em Nevada quanto na Carolina do Sul, Biden aparece como franco favorito.
A corrida poderá então ser definida entre Sanders e Biden pelo resultado da Super-Terça. O FiveThirtyEight atribui duas chances em cinco de vitória a Biden e uma em cinco a Sanders. Mas é possível que tudo fique indefinido até o fim das primárias no início de junho – e que o candidato seja escolhido apenas na convenção (uma chance em sete).
Warren e Buttigieg, correndo por fora, tentam se destacar para subir acima dos 15%. No segundo pelotão, Amy Klobuchar enfrenta dificuldades para decolar. Tom Steyer aposta na propaganda maciça para faturar Nevada e Carolina do Sul. Michael Bloomberg não se qualificou para o debate e investe pesado nos estados da Super-Terça. O debate de hoje e os três previstos para fevereiro serão decisivos para desfazer a névoa que ainda encobre o início da corrida.

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