Novo coronavírus matou 6 entre os primeiros 41 infectados; mais jovens escaparam da pneumonia, diz estudo




Levantamento aponta que esposa do primeiro homem a morrer também foi infectada e internada com pneumonia 5 dias após o marido. Ela não esteve no mercado de Wuhan. França é o primeiro país da Europa a registrar caso do novo coronavírus
Enquanto um estudo publicado na quinta-feira (23) mostrou que mais de 52% das vítimas fatais de coronavírus eram idosos e com alguma doença crônica associada, uma novo artigo divulgado nesta sexta (24) na revista “The Lancet” mostra que a maioria dos sobreviventes tem até 49 anos e é saudável.
A pesquisa desta sexta analisou os 41 primeiros pacientes do novo coronavírus confirmados entre 16 de dezembro e 2 de janeiro – seis deles morreram, e todos têm entre 49 e 66 anos. Nenhuma criança ou adolescente foi infectado e todos os sobreviventes tinham entre 25 e 53 anos.
“O número de mortes está aumentando rapidamente”, afirma o estudo, alertando que os números dos casos fatais estão crescendo dia a dia e que é urgente se descobrir “epidemiologia, duração da transmissão humana e espectro clínico da doença”.
Os cientistas também confirmam a relação entre a infeção e o mercado de frutos do mar de Wuhan: 66% estiveram no local antes de serem internados.
A mulher do primeiro paciente a morrer por coronavírus – um homem de 61 anos que apresentou os sintomas depois de ter ido ao mercado de frutos do mar – também foi infectada e internada por pneumonia 5 dias após a internação do marido, segundo os pesquisadores. Ela, que tem 53 anos e não frequentou o mercado, está viva.
Infectologista fala sobre aumento no número de países com casos de coronavírus
O mercado tem sido apontado como o local de origem das infecções do novo coronavírus. Ele foi fechado em 1º de janeiro. Um estudo publicado na quarta (22) afirma que a infecção do vírus começou em serpentes que eram comercializadas no local.
O que se sabe e o que ainda é dúvida sobre o coronavírus
Entre os sobreviventes, a maioria, 27 deles, era saudável. Apenas 13 pessoas tinham doenças associadas: 8 com diabetes, 6 com hipertensão e 6 com doenças cardiovasculares.
‘Todos tiveram pneumonia’
O estudo concluiu que os sintomas mais comuns no início da doença foram febre (98%), tosse (76%) e mialgia ou fadiga (44%); os menos comuns foram produção de escarro (28%), dor de cabeça (8%) e diarreia (3%). Todos os infectados apresentaram pneumonia. Cerca de 32% dos casos foram encaminhados diretamente para unidade de tratamento intensivo (UTI) porque necessitavam de suporte de oxigênio para respirar.
“O 2019-nCoV causou aglomerados de infecção pneumonia fatal, com apresentação clínica muito semelhante à SARS-CoV”, relata o estudo. “Pacientes infectados com 2019-nCoV podem desenvolver síndrome do desconforto respiratório agudo, com alta probabilidade de internação em terapia intensiva (UTI) e podem morrer.”
Ciclo do novo coronavírus – transmissão e sintomas
Aparecido Gonçalves/Arte G1
Grupo vulnerável
Segundo informações do Comitê Nacional de Saúde da República Popular da China, homens com mais de 50 anos e com algum problema de saúde eram mais da metade das vítimas de coronavírus até a quarta, quando haviam 18 mortes.
Para o infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Celso Granato, o fato de quase todas as vítimas fatais serem homens pode ser explicado por fator cultural. “Como o início da infecção está relacionado ao mercado de frutos do mar de Wuhan, pode ser que homens frequentem mais esses locais na China.”
Quanto à idade avançada das vítimas, o infectologista afirma que tal condição já é esperada em quadros de infecções virais. “Se o mesmo vírus infectar um jovem saudável de 30 anos, provavelmente não resultará em morte. É parecido com o que ocorre com o vírus da gripe: pessoas idosas costumam ser as vítimas fatais.”
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