Advogado de Romário sumiu com documentos de processo

A defesa do senador Romário (Podemos-RJ) atrapalhou o andamento de um dos processos em que ele é acusado de ocultação de patrimônio com uma atitude incomum. O advogado do parlamentar, Luiz Sérgio de Vasconcelos Júnior, retirou do cartório uma das ações, e ficou com ela em seu escritório por mais de um ano. O defensor, que desde junho do ano passado também é funcionário do gabinete de Romário no Senado, só devolveu os autos após a Justiça expedir um mandado de busca e apreensão para reaver os documentos. Em função da atitude, a Justiça proibiu a defesa de retirar os papéis novamente — agora, as consultas só podem ser feitas dentro do cartório do tribunal.

Reportagem no domingo mostrou que o senador oculta seu patrimônio para fugir de credores com quem tem dívidas milionárias.

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A determinação judicial está expressa na capa de um dos processos movidos pela empresa Koncretize contra Romário. Ela tem reconhecido o direito de receber cerca de R$ 24 milhões pelos serviços prestados para o extinto restaurante Café do Gol, no fim dos anos 90. Conforme O GLOBO revelou ontem, Romário conseguiu protelar o pagamento da dívida durante anos devido à dificuldade que o Judiciário teve de encontrar bens em seu nome. Somente no ano passado, dois apartamentos na Barra da Tijuca, que estiveram em nome da construtora Cyrela entre 2005 e 2016, foram leiloados por R$ 2,8 milhões para amortizar o saldo devido pelo ex-jogador. Agora, entrou na mira da Justiça uma casa avaliada em R$ 6,4 milhões, atualmente no nome de Adriana Sorrentino Borges, ex-mulher do ex-jogador Edmundo. Ela afirma ter vendido o imóvel para Romário em 2015, mas a propriedade até hoje não foi transferida.

O processo que sumiu da Justiça do Rio ficou em posse de Luiz Sérgio de Vasconcelos Júnior entre 25 de maio de 2016 e 5 de julho de 2017. Pela lei, um advogado pode retirar os autos de uma ação no tribunal. Não há um prazo obrigatório para a devolução, mas eles sempre precisam ser justificados.

As informações são de reportagem de Marco Grillo e Thiago Prado em O Globo.

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