Cerveró depõe em processo contra Lula e acusa ex-presidente

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Nestor Cerveró prestou depoimento na tarde desta terça-feira (8), dentro de um processo em que o ex-presidente Lula e mais cinco réus – o ex-senador Delcídio do Amaral, o ex-chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira, o banqueiro André Esteves, o advogado Édson Ribeiro, o pecuarista José Carlos Bumlai e o filho dele, Maurício Bumlai – são acusados de tentar obstruir a Justiça, evitando a delação do ex-presidente da Petrobras.

Durante o depoimento, Cerveró afirmou que foi nomeado para a BR Distribuidora por indicação de Lula, como forma de agradecimento por ele ter livrado o PT de uma dívida.

O “negócio” teria acontecido a partir da contratação, pela Petrobras, do grupo empresarial Schahin, em 2009, para operar um navio sonda comprado pela petroleira para exploração na bacia de Santos. Em contrapartida, a Schahin deveria perdoar um empréstimo de R$ 12 milhões que havia feito ao PT, em 2004.

Cerveró afirmou, ainda, que estava para ser demitido da Petrobras por pressão do PMDB da Câmara, que indicou Jorge Zelada para a Diretoria Internacional. No mesmo dia da demissão, porém, o órgão aprovou sua nomeação para a Diretoria Financeira da BR Distribuidora por recomendação de Lula. As informações são do G1.

“A informação que me foi dada era que [a indicação para a BR Distribuidora] seria um reconhecimento do trabalho que eu havia feito da liquidação da dívida do PT em 2006. Tinha conseguido através da contratação da Schahin, mediante a condição de que a dívida do PT com o Schahin seria liquidada. Foi o motivo de agradecimento ou reconhecimento que levou o presidente Lula a me indicar”, afirmou Cerveró.

O advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin Martins, esteve presente à audiência e disse que nenhum dos depoimentos prestados confirma qualquer tentativa de Lula em evitar a delação de Cerveró. Em relação à nomeação de Cerveró para a BR, Zanin disse que o ex-diretor contou o caso por “ouvir dizer”.

“Ele diz que alguém teria dito isso a ele. Ele diz que foi o Sandro Tordin, que era da Schahin e com quem tinha relacionamento. Ele diz que não veio nenhuma confirmação oficial do Lula sobre isso. Entre ser e ouvir dizer de alguém tão distante do ex-presidente Lula, como é o Sandro Tordin, mostra como não tem qualquer sentido essa afirmação”, disse Martins.

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