Com apoio do PT, Maia já comemora reeleição na Câmara; CONFIRA!

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A uma semana da eleição no Parlamento, intensificam-se os protestos na militância do Partido dos Trabalhadores (PT). Maior bancada de oposição, na Câmara e no Senado, o PT apoiará, na prática, a eleição de integrantes da base aliada ao golpe, instalado em Maio último. Oficialmente, a direção nacional da legenda liberou os parlamentares para que façam a escolha que bem entenderem, nas duas Casas do Congresso.

Na manhã desta segunda-feira, Rodrigo Maia recebeu um apoio inesperado. Líder do PSD, o deputado Rogério Rosso (DF) suspendeu, em definitivo, sua campanha para o cargo de presidente da Câmara dos Deputados. A eleição será disputada no dia 2 de fevereiro. Parte dos adeptos à sua candidatura já teriam entrado em contato com o gabinete de Maia, para declarar o apoio ao integrante do DEM.

Rosso, no entanto, explicou que vai aguardar decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade da candidatura do presidente Rodrigo Maia à reeleição. Ele ainda faz uma inflexão oposicionista a Maia.

— Sempre tive a convicção da inconstitucionalidade da reeleição. Se fosse para excepcionalizar mandato suplementar, a Constituição Federal teria feito — afirmou.

Segundo o parlamentar, o país precisa de um presidente na Casa que garanta estabilidade política e segurança jurídica. Consciente de sua inviabilidade política Rosso, por ele mesmo, presume que este nome seria o dele.

— O grande desafio é reaproximar a Câmara dos Deputados da sociedade e resgatar a confiança da sociedade. Uma Presidência da Câmara sub judice não é o melhor para o Brasil — protestou.

Rogério Rosso disse ainda que, se o STF se manifestar pela constitucionalidade da reeleição de Maia, retira de uma vez por todas sua candidatura ao cargo.

Maia viabilizou-se numa decisão judicial. Na semana passada, a Câmara foi notificada pelo STF para se manifestar sobre mandado de segurança que questiona a candidatura e eventual reeleição do atual presidente, Rodrigo Maia. O principal argumento da medida restritiva é que a Constituição Federal e o Regimento Interno da Casa proíbem reeleição de membros da Mesa Diretora para o mesmo cargo dentro da mesma legislatura. Mas há controvérsia.

Na semana passada, o presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, desembargador Hilton Queiroz, suspendeu a decisão liminar da 15ª Vara Federal de Brasília que havia determinado ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, abster-se da candidatura à Presidência da Casa, na próxima eleição da Mesa Diretora.

O prazo para que a Câmara se manifeste é dez dias úteis, que começaram a contar a partir do momento em que o aviso de recebimento chegou ao STF, nesta segunda-feira.

Na noite passada, durante jantar na residência oficial do Senado, Rodrigo Maia estava otimista. Os convivas presentes à mesa do banquete disseram à reportagem do Correio do Brasil que o filho do ex-prefeito carioca Cesar Maia que, com o apoio do PT e demais partidos da esquerda brasileira, acredita vencer no primeiro turno.

Sentados ao lado de Maia estava a nata do governo e do PMDB. A começar pela presença do presidente de facto, Michel Temer. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e o presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR). O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), possível presidente da Casa. E o secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimento (PPI), Moreira Franco.

Diante do prestígio junto à cúpula da legenda que ocupa o Estado brasileiro, desde Maio último, o deputado fluminense aposta em uma “votação expressiva”. Maia quer superar a marca do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Atualmente em um presídio do Paraná, Cunha foi eleito para o comando da Casa, no primeiro turno com 267 votos. A vitória foi, exatamente, sobre o petista Arlindo Chinaglia (SP), o que marcou o início da queda da presidenta deposta Dilma Rousseff.

Maia comemorava o apoio de elementos da esquerda, principalmente do PT, para chegar na reta final com chances de reunir o apoio das principais bancadas da Câmara. O jantar na residência de Renan foi marcado em seguida ao encontro com o presidente do PSDB. Maia e o senador Aécio Neves (MG) encontraram-se em Belo Horizonte. Saiu de lá com o apoio dos tucanos.

Antes de fechar o apoio a Rodrigo Maia, Neves conversou com Temer, no Palácio do Planalto. Trataram, também de indicações do PSDB para a Secretaria de Governo. Os cargos disponíveis são considerados estratégicos pelos tucanos, devido a proximidade ao núcleo do poder instaurado.

Em quaisquer circunstâncias, o PT sai em uma posição pior do que estava, no início da disputa. O desgaste foi expresso no vídeo do blogueiro Rodrigo Pilha. Ele relembrou o voto do atual presidente da Câmara, na noite que marcou o início do golpe de Estado, no país.

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