EM PARIS: Ao lado de Cardozo, presidenta Dilma esclarece golpe e denuncia perseguição à Lula; CONFIRA!

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Lembrando a destituição de Fernando Lugo da presidência do Paraguai, em 2012, Dilma Rousseff declarou que o impeachment passou a ser uma estratégia na América Latina. “Quando não se derrota por eleição direta, recorre-se ao impeachment”, declarou.

Para a ex-presidente, o processo envolve toda a América Latina neste momento, onde, segundo ela, “aproveita-se da crise econômica para se instituir políticas ultraconservadoras e ultraliberais contra os direitos da população”.

“Novo golpe” em 2018

No caso específico do Brasil, Dilma Rousseff acredita que esse processo tem como consequência “o aparecimento de uma onda conservadora e restritiva”. “Por isso, haverá a possibilidade de uma vitória ou de um novo golpe, em 2018, nas próximas eleições presidenciais”, prevê.

A ex-presidente diz desconhecer quais mecanismos seriam utilizados, mas “há a possibilidade de tentarem uma eleição indireta, diante de um presidente ilegítimo e do desgaste muito grande com as delações [da Odebrecht] que vão ser divulgadas nos próximos meses, semanas ou dias. E há a possibilidade, em último caso, de inviabilizarem a candidatura de Lula.”

Por isso, segundo ela, compreender o que acontece atualmente no país é fundamental para agir e evitar o que classifica como “o golpe no golpe”. “O grande risco que nós corremos hoje é em relação às eleições de 2018”, um processo que, segundo ela, estaria na continuidade de sua destituição em 2016.

A petista também criticou a PEC do teto para os gastos públicos, aprovada no mês de dezembro, “o exemplo mais puro de como o neoliberalismo se casa com o estado de exceção e afronta a Constituição”. “Congelar por vinte anos, em termos reais, todo o gasto com educação, cultura, segurança, ciência e tecnologia, e liberar o gasto em pagamento de juros, é claramente a apropriação do orçamento por uma política neoliberal. Ora, fazê-lo por vinte anos é passar por cima de cinco presidentes, e portanto, de cinco processos eleitorais.”

Defesa da democracia

A melhor forma de lutar contra essa evocada ascensão do conservadorismo e o ultraliberalismo é a defesa democracia, garante a ex-presidente. “Ela é nossa principal bandeira porque impede que os golpes se deem à margem dos processos de melhoria de vida.”

À RFI, Dilma declarou que o objetivo de sua viagem à Europa é denunciar as consequências do que chama de “medidas de exceção”, que, ressalta, vêm acontecendo em todo o mundo. “É esse capitalismo de curto prazo, que quer resultados trimestrais. Ele produziu a maior crise dos últimos setenta anos, essa que ainda estamos vivendo.”

Para ela, esse processo global é incompatível com a democracia. “É algo que explica meu impeachment, o Brexit, a eleição americana, uma série de eventos que estão acontecendo no mundo inteiro.”

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