Ética médica entra em debate após vazamento de dados de dona Marisa

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O vazamento de informações do prontuário de dona Marisa Letícia, mulher do ex-presidente Lula, abriu um debate sobre a ética médica. A ex-primeira dama, que sofreu um AVC e foi internada no Sírio-Libanês no dia 24 de janeiro, tendo seu óbito confirmado em 3 de fevereiro, teve informações de seu estado de saúde, enquanto internada, compartilhadas por médicos do hospital numa rede social.

A reumatologista Gabriela Munhoz vazou as primeiras informações sobre o diagnóstico de dona Marisa numa rede de mensagens instantâneas, com colegas de faculdade. Ela ainda escreveu quatro carinhas sorridentes em uma das mensagens na qual reportava a gravidade do estado de saúde da ex-primeira dama. Na sequência, um colega dela, o neurocirurgião Richam Ellakkis entra no chat e critica os médicos que estão tentando salvar Marisa e diz que se romperem o procedimento, “o capeta abraça ela”.

A conversa logo chegou aos diretores do hospital e Gabriela Munhoz foi demitida imediatamente. E toda essa história abriu motivou a discussão sobre a ética médica, que preza pelo sigilo sobre pacientes. A pergunta é: quais são os limites que os médicos não podem ultrapassar quando o assunto envolve informações sobre os pacientes?

Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, o diretor-executivo do Sírio-Libanês, Fernando Torelly, falou sobre o caso. “Na nossa avaliação, todas as manifestações dela (doutora Gabriela) nesta rede social estão infringindo a conduta e a privacidade do paciente”, disse.

Ao mesmo programa, a médica negou que divulgou informações sigilosas sobre dona Marisa Letícia, o que contraria a apuração do hospital. Vale ressaltar que ela, Gabriela, não fez parte da equipe que cuidou da ex-primeira-dama. O Sírio-Libanês checou os acessos dela aos dados.

O CREMESP (Conselho Regional de Medicina de São Paulo) abriu sindicância para para investigar a conduta de todos os médicos envolvido no caso. “Aquilo o que está no prontuário médico, é do paciente. Inclusive o prontuário. Está sob a guarda do médico”, afirmou Mauro Aranha, presidente do órgão, também ao Fantástico.

De 2012 a 2016, o CREMESP somou 379 processos envolvendo quebra de sigilo médico. O processo que pode virar denúncia e julgamento pode durar de dois a cinco anos.

“A ética protege todo mundo. É soberana nesse cenário. Não tem como dissociar a ética da prática médica”, finalizou o cirurgião Diego Fanti Silva, da Universidade Federal de São Paulo.

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