MEDO DE POVO ORGANIZADO: Pedido de Exército por Marchezan só causa mais indignação por parte de movimentos populares

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Na manhã desta quinta-feira (4), o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), anunciou por meio de suas redes sociais que enviou um ofício para o presidente Michel Temer (PMDB) solicitando a presença do Exército e da Força Nacional na Capital no dia 24 de janeiro em razão da convocação feita por movimentos sociais de uma manifestação para o entorno do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), localizado nas proximidades do Parque Harmonia, no dia marcado para o julgamento do ex-presidente Lula (PT). A medida, que já foi descartada pelo secretário estadual de Segurança Pública, Cezar Schirmer (PMDB), é vista por movimentos sociais que estão se organizando para o ato como uma tentativa de aumentar o clima de beligerância e de promoção da intolerância política contra uma manifestação que se pretende pacífica.

Cedenir de Oliveira, coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), diz que o pedido de Marchezan precisa ser avaliado dentro de um contexto de intolerância política que vem se construindo no País e de tentativa, por parte de autoridades, de suprimir direitos democráticos, como o da livre manifestação. “Essa do Marchezan é mais uma aberração além de todas as outras que já ocorreram nesse período, inclusive a própria condenação do Lula e, por trás, impedi-lo de concorrer à presidência. Nós temos que olhar isso não como um fato isolado, mas dentro de um roteiro que está sendo preparado”.

Oliveira diz que o MST está ainda realizando um trabalho de diálogo com a base e com outros movimentos sociais para a construção da manifestação do dia 24 de janeiro. “Evidentemente, vamos levar em consideração todo esse processo de repressão que está sendo montado. Todo esse aparato, toda essa ofensiva que está sendo feita é para impedir qualquer tipo de manifestação. Evidente que isso não vai impedir a nossa manifestação, mas nós temos que ter responsabilidade para ver como vamos atuar nesse período”, afirma.

Claudir Nespolo, presidente da seccional gaúcha da Central Única de Trabalhadores (CUT-RS), diz que o pedido de Marchezan é a atitude de um gestor público que pretende tumultuar o evento e contribuir com um ambiente beligerante. “Da nossa parte, vamos conversar com as autoridades da segurança pública para garantir uma manifestação pacífica dentro dos marcos da Constituição. Essa atitude de beligerância não faz parte da nossa pauta”, disse. Nespolo afirma que, com o pedido, Marchezan não está agindo como um gestor público, mas sim como “uma parte tucana interessada na condenação do Lula para fins políticos”.

Click Política com Sul21

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