Moro: Cunha praticou crimes ‘de forma profissional e sofisticada’

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Na decisão que ordenou a prisão preventiva do ex-deputado Eduardo Cunha, o juiz federal Sergio Moro considerou que há provas “da prática reiterada, profissional e sofisticada de crimes” pelo político, réu na Operação Lava Jato.

Moro entendeu que há risco à investigação e à ordem pública, o que justifica a prisão. Também destacou que “não raramente” o ex-deputado usava táticas de extorsão, e intimidou testemunhas e delatores que poderiam depor contra si.

Para Moro, o fato de Cunha estar sem mandato não ameniza o risco de que ele influencie testemunhas ou obstrua a investigação.”

O ex-parlamentar é ainda tido por alguns como alguém que se vale, com frequência, de métodos de intimidação”, escreveu o juiz. ”

Embora a perda do mandato represente provavelmente alguma perda do poder de obstrução, esse não foi totalmente esvaziado, desconhecendo-se até o momento a total extensão das atividades criminais do ex-parlamentar e a sua rede de influência.”

Moro cita trechos da decisão do ministro Teori Zavascki, em maio, que afastou Cunha da presidência da Câmara dos Deputados. Nela, o magistrado afirma haver indícios de que Cunha “pressionou e extorquiu” empresários para obtenção de vantagens espúrias, além de intimidar pessoas que poderiam expor irregularidades.

Entre os exemplos citados estão a demissão de funcionário da Câmara que apresentou provas contra o ex-deputado, a convocação de delatores e seus advogados para a CPI da Petrobras, pedidos de quebra de sigilo, requerimentos ao TCU (Tribunal de Contas da União) e ameaças relatadas pelo ex-relator do Conselho de Ética, deputado Fausto Pinato (PRB-SP), para impedir seu processo de cassação.”

Considerando o histórico de conduta e o modus operandi, remanescem riscos de que, em liberdade, possa o acusado Eduardo Cosentino da Cunha, diretamente ou por terceiros, praticar novos atos de obstrução da Justiça, colocando em risco à investigação, a instrução e a própria definição, através do devido processo, de suas eventuais responsabilidades criminais”, escreveu Moro.

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