Os golpistas mataram dona Marisa. E Lula os recebeu. Por quê?

0

por Laura Capriglione

Os golpistas mataram Marisa. Disso, eu não tenho dúvida nenhuma. O grito que se ouviu no Hospital Sírio-Libanês —”Assassinos!”— era a pura expressão da verdade. Eles mataram dona Marisa, a companheira de Lula. Tudo porque quiseram matar o quanto Lula representou e representa para o povo brasileiro.

A van branca que estacionou na frente do Sírio-Libanês às 22h30 de ontem (2/2), contendo Michel Temer, e o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR), Eduardo Braga (PMDB-AM), Edison Lobão (PMDB-MA) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), além do novo presidente do Senado, Eunício de Oliveira (PMDB-CE), contou ainda com os ministros Helder Barbalho (PMDB-PA), da Integração Nacional, José Serra (PSDB-SP), das Relações Exteriores, Henrique Meirelles, da economia, e Moreira Franco, que nesta quinta foi elevado ao cargo de ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, para ficar a salvo das delações da Odebrecht na Lava-Jato.

Todos golpistas! Todos assassinos da Democracia brasileira e de dona Marisa.

Pouco antes, outro golpista havia comparecido ao Sírio-Libanês, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, aquele que nunca escondeu de ninguém a inveja que sente do operário metalúrgico transformado em presidente pela força do amor do povo. FHC, aquele, sempre pródigo em manifestações de ciúmes porque Lula é reconhecido internacionalmente pela pujança das políticas públicas que tiraram da miséria absoluta 40 milhões de brasileiros.

Também apareceu a traidora Marta Suplicy, aquela que se elegeu senadora pelo PT de São Paulo, migrou para o PMDB e votou com os golpistas no impeachment de Dilma Rousseff.

A pergunta que não queria calar ontem e que ainda persiste hoje é: por que eles, os assassinos, fizeram questão de comparecer ao hospital? E por que Lula os recebeu?

O medo
A resposta à primeira pergunta é simples. Eles, os predadores de dona Marisa, aqueles que açularam a loucura e o ódio no país, foram por medo. Foram prestar homenagem à mulher simples, de origem operária, companheira de vida do maior líder popular que o Brasil já teve, porque têm medo do julgamento do povo. Têm medo do julgamento da História. Têm medo de que Marisa e a família de Lula se transformem naquilo que ja são: mártires que acreditaram ser possível construir um Brasil melhor do que aquele que essas elites fizeram em 500 anos de poder.

Todo o tempo em que estive no 20º andar do Hospital Sírio-Libanês, na ante-sala da UTI onde dona Marisa recebia seus últimos cuidados, lá estava também o fotógrafo oficial de Lula, Ricardo Stuckert.

Ele registrou a emocionante missa em homenagem à enferma, em que o ex-presidente chorou copiosamente, abraçado a amigos e camaradas de toda a vida.

E registrou a hora em que os golpistas adentraram o andar, em fila constrangida, para render sua última homenagem a uma das valorosas mulheres que trataram como Geni nos últimos anos.

Temer e companhia esvaziaram assim a narrativa da criminalização que eles mesmos construíram. Marisa, a heroína agonizante, merecia pelo menos esse ato de Justiça.

Por isso, Lula os recebeu.

você pode gostar também Mais do autor

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.