Políticos falam em ‘turbulência’ para governo com lista de Janot

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Saiba como o meio político reagiu aos pedidos de inquérito enviados nesta terça-feira (14) pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar políticos citados em delações.
Ao todo, Janot pediu ao STF a abertura de 83 inquéritos para investigar políticos mencionados por 77 executivos e ex-executivos da empreiteira Odebrecht e da petroquímica Braskem (empresa do grupo Odebrecht). As delações já foram homologadas pelo Supremo.

Nesses depoimentos, segundo a TV Globo apurou, são mencionados os nomes de pelo menos 170 pessoas, entre as quais políticos com foro e sem foro privilegiado. Os nomes que constam da lista, contudo, não foram divulgados pela PGR.
Diante os pedidos de Rodrigo Janot, caberá ao ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo, decidir se os inquéritos serão autorizados e se o sigilo será removido.

Repercussão

Leia abaixo o que disseram parlamentares nesta terça:

Edison Lobão (PMDB-MA), senador, investigado na Lava Jato:
“Não vejo nenhuma razão maior para tensão. Vários senadores já estão submetidos à investigação e muitos deles, inclusive eu, temos tido esses inquéritos arquivados por falta de completa procedência das delações.”

Efraim Filho (PB), deputado e líder do DEM na Câmara:
“É natural que [a lista] vai causar um grande impacto na Casa, mas o nosso desafio é ter a maturidade necessária para separar a agenda econômica da agenda política. Ambas são importantes, mas podem caminhar em paralelo. Não é produtivo para o Brasil parar a agenda econômica para discutir apenas a agenda política, fruto das investigações da Lava Jato, que são importantes para o Brasil”.

Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado:
“Não vou falar sobre isso [pedidos de Janot]. Não vi nenhuma lista. Vamos aguardar, vamos aguardar com calma.”
Fábio Ramalho (PMDB-MG), deputado e primeiro-vice-presidente da Câmara:
“Acho que não [vai afetar o andamento da Casa]. Vamos aguardar para ver, porque é pedido de inquérito.”

Henrique Meirelles, ministro da Fazenda:
“Não acredito que isso [a lista] vai impedir os trabalhos normais do Legislativo. Nós temos três poderes independentes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Cada um está funcionando normalmente e hoje o Judiciário mostrou que também está funcionando normalmente”.

Humberto Costa (PT-PE), líder da oposição no Senado:
“Naturalmente, [a lista] gera um ambiente de turbulência, de preocupação de muita gente. Esperamos que os delatores tenham sido fiéis e não tenham mentido em relação a quem eventualmente tenha cometido algum tipo de irregularidade. […]. Mas não creio que [a lista] vá impedir que as matérias mais importantes sejam votadas pelo Senado.”

Lúcio Vieira Filho (PMDB-BA), deputado e vice-líder do PMDB na Câmara:
“Pior do que está não vai ficar. Talvez, quando sair a lista [os nomes se tornarem conhecidos], o clima até melhore, porque aí acaba a expectativa. Se sair uma lista com 80 nomes, quem achava que estava, vai poder ficar tranquilo. […] Tudo aqui atrapalha votação. Qualquer ruído atrapalha votação até porque dá discurso para quem não quiser votar.”

Paulo Bauer (PSDB-SC), líder do partido no Senado:
“Naturalmente que a lista, se alcançar alguns senadores, vai trazer alguma consequência, alguma discussão, um atraso. Mas não vai gerar dificuldade para continuarmos votando os assuntos de interesse do país e enfrentando os problemas que precisam ser encarados no Brasil. […] A lista não vai paralisar nenhuma votação, poderá produzir algum atraso, algum debate paralelo, mas não vai fazer com que o Senado deixe de votar as matérias importantes para o país.”

Randolfe Rodrigues (AP), líder da Rede no Senado:
“Há, obviamente, uma tensão por parte do Congresso, mas o que mais me preocupa não é a tensão entre senadores e deputados. O que me preocupa são iniciativas que podem surgir contra o conteúdo e o rumo das investigações do Ministério Público e da Procuradoria-Geral da República. Tensão pode fazer parte do ânimo dos parlamentares, o que não pode fazer parte são iniciativas que interrompam investigações.”

Romero Jucá (RR), senador investigado na Lava Jato e presidente do PMDB:
“O Ministério Público tem a obrigação de investigar qualquer indício. A melhor resposta que se pode dar é trabalhar e votar. Estou tranquilo, qualquer investigação, vou responder e não vou mudar meu jeito de trabalhar. Quem tenta paralisar o Congresso não está a favor do Brasil. Quem tiver cometido crime, deve pagar. Quem não tiver cometido, tem que ser declarado isento. Não há também nenhuma verdade em qualquer tipo de delação a não ser que a delação seja comprovada. E acho que colocar uma nuvem negra sobre toda a classe política do Brasil é um desserviço.”

G1

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