PT e Lula ainda não chegaram a consenso sobre apoio na Câmara

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Sem chegar a um consenso sobre quem apoiará na disputa pela presidência da Câmara, o PT vai discutir a questão nesta quinta-feira (19) com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O partido não quer correr o risco de repetir o que aconteceu em 2015 quando, derrotado por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ficou sem lugar na Mesa Diretora.

Para isso, a cúpula do PT deve passar por cima do discurso de que houve um golpe contra a então presidente Dilma Rousseff e adotar uma posição mais pragmática, o que inclui apoiar atores importantes do impeachment como os candidatos Rodrigo Maia (DEM-RJ), Jovair Arantes (PTB-GO) e Rogério Rosso (PSD-DF). André Figueiredo (PDT-CE) é o único candidato de oposição.

“Essa questão [do desconforto de apoiar um ator do impeachment] é secundária para nós, desde que haja o respeito às regras democráticas, do regimento, à proporcionalidade”, disse o líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP).

Uma decisão só deve sair na próxima semana, após as reuniões da executiva e do diretório nacional, no final desta semana, e de um novo encontro da bancada.

De acordo com o presidente nacional do PT, Rui Falcão, Lula apenas dará a “opinião” dele aos nove deputados que integram a comissão designada para discutir a sucessão na Câmara.

“Sempre tem um peso muito grande [a opinião de Lula]”, disse Falcão, após reunião da bancada em Brasília nesta terça-feira (17).

PROPORCIONALIDADE

Para garantir um lugar na Mesa e justificar um eventual apoio a candidato governista, o PT diz que precisa estar próximo ao comando da Câmara para poder ter mais voz em debates como as reformas da Previdência e trabalhista.

“Não é acordo e barganha, como está se tentando colocar, para ocupar cargo.

Queremos saber qual a dinâmica democrática da Casa, qual o tratamento que vai ser dado para que possamos fazer oposição”, afirmou Rui Falcão.

“Temos dialogado permanentemente com os movimentos socais, que querem, na Câmara, uma possibilidade de barrar essas medidas de retrocesso que o governo golpista vem implementando, independente do candidato”, completou o presidente petista.

Tanto Maia quanto Jovair têm prometido lugar para o PT na Mesa Diretora. Ambos prometem respeitar os critérios de proporcionalidade.

Aliados de Maia dizem que ao PT caberia a segunda secretaria, que trata de estágios, prêmios conferidos pela Câmara e da emissão de passaportes diplomáticos para deputados.

Alguns membros do partido querem que Maia entregue a eles a primeira secretaria, uma espécie de prefeitura da Casa. A posição, no entanto, está sendo negociada com o PR, segundo a reportagem apurou.

Para parlamentares próximos a Maia, o recente aceno à candidatura de Jovair é uma tentativa de pressionar o atual presidente da Câmara a dar ao PT a primeira secretaria.

Partidos governistas discutem a formação de blocos para tomar o lugar do PT na escolha de lugares na Mesa. Sozinho, o PT tem a segunda maior bancada, com 57 deputados. Com informações da Folhapress.

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