Caco Barcellos da Globo: violência não é contra bandidos, mas contra pobres

o jornalista João Carneiro na coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.

Caco Barcellos acena com a cabeça para responder que sim, ele já pensou em desistir de ser repórter.

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“Eu fico indignado com a nossa pouca importância. A gente não representa nada. Representamos muito pouco em relação ao conjunto”, explica ele. “Você não vai acreditar, mas é a absoluta verdade: eu achava que por meio da minha pesquisa eles iriam parar de matar. Eu tinha essa ingenuidade.”

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O jornalista se refere ao premiado livro “Rota 66 – A História da Polícia que Mata”, lançado por ele em 1991, que revelou um grande número de assassinatos cometidos por membros das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), grupo de elite da Polícia Militar de São Paulo.

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A obra servirá de referência para um longa-metragem que começará a ser filmado neste ano. A trama, com um protagonista livremente inspirado em Caco, mostrará os passos de sua investigação sobre a atuação dos policiais. A produção é da Boutique Filmes.

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Ele conta que se tornou jornalista por “muita sorte”. Estudava para ser engenheiro, em Porto Alegre, quando se interessou na produção de um jornal do centro acadêmico do curso. “E os únicos que toparam fazer o jornal foram um grupo de hippies da universidade. No primeiro mês, já estava morando com eles e fazendo, na verdade, um jornal para a comunidade hippie”, conta, rindo.

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Caco diz que concorda parcialmente com a afirmação, feita pelo jornalista Narciso Kalili na apresentação de “Rota 66”, de que ele seria um repórter “que tem lado” –o “dos mais fracos, o das vítimas”. “Acho que é dever do repórter estar sempre retratando o universo da maioria, e não o das minorias. Não é o que se vê, mas acho que é o nosso papel”, afirma.

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“Se eu estivesse morando na Suíça, eu tinha que estar mostrando o universo dos Jardins todo dia. Mas a gente mora numa grande Etiópia de mais de 100 milhões de pessoas pobres e miseráveis. E acho que eles têm que ter uma voz mais ativa, um retrato mais forte que as minorias que não passam de 1% da sociedade brasileira.”

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