Delator do caso Marielle afirma que está jurado de morte por miliciano

Uma testemunha informou que decidiu procurar a Polícia Federal para contar o que sabe sobre o crime contra a ex-vereadora do Rio Marielle Franco (Psol) porque está jurada de morte pelo miliciano Orlando Oliveira de Araújo, que cumpre pena na Cadeia Pública Bandeira Stampa, conhecida como Bangu 9. De acordo com o delator, Orlando acredita que sua prisão no ano passado é consequência de uma denúncia feita por ele.

A testemunha contou que se afastou da milícia em setembro. “Orlando foi preso um mês depois. Ele acha que a denúncia foi minha. Não tive nada com isso”, disse. O relato foi publicado no Globo.

O delator admitiu que instalava TV a cabo clandestina com dois policiais militares na comunidade da Boiúna, em Jacarepaguá. Orlando assumiu todo o controle da favela há cerca de dois anos e obrigou a testemunha a trabalhar para a quadrilha. Segundo ele, a milícia na Boiúna fatura R$ 30 mil por mês com a exploração de ‘gatonet’, venda de gás e mototáxis. “Em 2015, Orlando de Curicica matou um dos meus sócios e me procurou. Deixou claro que eu poderia morrer também. Entreguei tudo para ele e entrei para a quadrilha. Até acontecer um problema: pedi para sair, mas ele não deixou. Passei, então, a ser uma espécie de segurança. A tarefa principal era dirigir para o filho e a mulher dele”, acrescenta.

No dia 30 de abril, o delator prestou depoimento ao delegado Giniton Lages, da Divisão de Homicídios (DH), responsável pelas investigações do homicídio contra Marielle e o motorista Anderson Gomes, com a garantia de que receberia proteção. No último sábado (5), acompanhado de seu advogado, o delator voltou a depor por mais oito horas no mesmo lugar. Policiais apresentaram fotografias de suspeitos e buscaram informações sobre homicídio nos quais Orlando estaria envolvido. O terceiro depoimento aconteceu na segunda-feira (7), desta vez, na Divisão de Homicídios, na Barra.

Caso Marielle

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A suspeita é a de que o crime contra a ex-vereadora tenha sido encomendado. Ela era ativista de direitos humanos e denunciava o abandono das populações marginalizadas, além da truculência policial nas favelas.

Os criminosos escolheram um ponto cego, sem câmeras, para executar o crime.

Outro detalhe é que imagens de uma câmera de segurança flagraram o momento em que a vereadora sai do evento de que participava na noite de quarta (14), no Rio, e entra no carro com a assessora e o motorista Anderson Gomes. As imagens, acessadas pela Globo, mostram um carro que sai logo após o veículo de Marielle sai.

De acordo com as investigações, os tiros foram disparados por criminosos com uma submetralhadora 9mm. Também foi utilizado um supressor de ruído na arma para minimizar o som dos disparos, de acordo com informações reveladas pelo “Domingo Espetacular” e confirmadas ao G1.

CLICK POLÍTICA com informações de brasil247

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