“Fora sapa!”: executivos da Andrade Gutierrez, que pagou propina a Aécio, xingavam Dilma no WhatsApp

O dono da Andrade Gutierrez, Sérgio Andrade, disse em depoimento à Polícia Federal que Aécio recebeu propina de R$ 35 milhões através de um contrato entre a empreiteira e uma empresa do amigo Alexandre Accioly.

A suspeita da PF é de que o contrato de fachada servia para facilitar a AG e outras empreiteiras na construção da usina de Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia.

Em 2015, apareceram trocas de mensagens de WhatsApp de executivos da cúpula da Andrade Gutierrez durante as eleições, torcendo por Aécio.

“Bora Brasil!! Bora Aécio!!!”, disse Ricardo Sá, presidente global da AG Private, divisão da empresa que cuida de clientes do setor privado em todo o mundo, quando a apuração dos votos no segundo turno mostrava o tucano à frente.

As informações constavam do iphone de Elton Negrão de Azevedo Júnior, que deixou a empresa após ser preso na 14ª fase da operação e ser denunciado por corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

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Deste grupo participavam presidentes de várias divisões do Grupo Andrade Gutierrez como:

Flávio David Barra, ex-presidente da AG Energia preso na Lava Jato; Clorivaldo Bisinoto, presidente da AG Engenharia; Ricardo Sena, presidente de Engenharia e Construção da AG Engenharia; Anuar Caram, presidente da AG Público Brasil, que trata dos negócios com o setor público; Ricardo Sá, presidente da AG Private; José Nicomedes, presidente da AG AEA – África, Europa e Ásia- e João Martins, presidente global da AG Negócios Estruturados. Do grupo, apenas Elton Negrão e Flavio Barra são investigados pela Operação Lava Jato.

No dia 25 de outubro, o sábado antes da votação, eles comentaram o último debate entre os então candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves transmitido pela TV Globo.

“É agora… O tema corrupção….A mulher está nervosa demais….Agora o homem moeu a gorda de perna aberta”, disse Anuar Caram, que foi logo respondido por Ricardo Sá: “Fora sapa com cara do satanás!!!”.

(…) “Legal. Taca-lê pau Aécio”, segue Anuar Caram. As ofensas e piadas à presidente seguem durante o debate transmitido pela TV Globo. No dia seguinte, após a votação do segundo turno, o grupo começa a comentar as expectativas e a torcer pelo candidato tucano, citando inclusive informações que seriam da campanha dele.

(…) Os executivos comentam ainda a vitória da petista em Minas Gerais e o bom desempenho de Aécio em São Paulo. “Vergonha de ser mineiro!”, reclama Ricardo Sena. Flávio Barra, por sua vez, afirma “nem sou mais… voto em SP, que me deu orgulho!”. “Aguentar essa dentuça por mais 4 anos vai ser foda”, reclama Caram. “A miséria e a ignorância elegeu a Dilma!(sic)”, segue João Martins.

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