Força política de Lula aguça ódio de adversários, diz Tarso Genro

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Do UOL:

O ex-presidente Lula foi condenado em primeira instância, responde a outros processos e está prestes a ser julgado em segunda instância por crimes de corrupção. Na sua opinião, ele deve ser candidato do PT à presidência?

Sim, deve ser candidato. [Lula] tem a obrigação de submeter-se à soberania popular e contestar as acusações que lhe são feitas, que compartilham, na verdade, de um processo de liquidação política de todo o reformismo de esquerda e centro esquerda, que começará a vingar no país.

Assim como o presidente Lula tem a obrigação e o dever de responder, no devido processo legal, às acusações que lhe são feitas pelo Ministério Público, ele, como liderança maior que é do campo popular, deve ter o direito de submeter-se ao crivo eleitoral, de onde emana, constitucionalmente, todo o poder.

A manutenção da candidatura de Lula é uma estratégia do PT para protegê-lo?

Não creio que seja, pois a demonstração de força política de Lula aguça o ódio dos seus adversários e dos primários promotores de Curitiba, como se tem visto ultimamente.

(….)

O PT corre risco de perda de protagonismo nas eleições de 2018 se Lula for considerado inelegível?

[O PT] pode perder [protagonismo], mas esse não será o principal problema do país, pois o PT poderá recuperá-lo processualmente. O principal problema para o país é que, se Lula não concorrer, o próximo presidente, que será provavelmente de centro-direita –um fenômeno tipo Collor, mas ainda mais despreparado–, perderá a legitimidade para governar, pois terá chegado ao poder sem vencer o principal candidato ao posto presidencial.

(…)

Por que o povo não saiu às ruas em 2017 contra Temer como saiu em 2016 contra a ex-presidente Dilma Rousseff, apesar da ampla cobertura da mídia nos dois casos?

Na minha opinião a sua premissa não confere com o mundo real: a mídia oligopólica fez uma campanha contra Dilma para derrubá-la e para colocar um presidente compromissado para fazer as ‘reformas’ contra o estado social. Reformas que estão sendo feitas, aliás.

Contra a Dilma, as classes médias –grande parte delas diz que ‘sonegar é legítima defesa’– saiu às ruas massivamente contra as políticas sociais ofertadas aos pobres porque suas condições econômicas estavam se deteriorando. Não saiu às ruas contra a corrupção, que, como se sabe, aumentou exponencialmente os seus representantes no governo.

A mídia que controla a formação de opinião ataca o governo Temer nos ‘detalhes’, mas não na sua legitimidade para fazer as reformas ou para governar, pois, como insistem, o governo Temer ‘já começou a melhorar o Brasil’. As classes médias superiores e altas preferem a guerra social do governo Temer às políticas sociais da esquerda e do PT. Por isso não se movem nem se tornam vanguarda mobilizadora contra o governo atual.

Em um artigo seu, o senhor diz que Lula será julgado no TRF-4 por sua “grandeza” e não pelos seus defeitos e erros. Na sua avaliação, qual o principal defeito de Lula e qual foi seu principal erro na presidência?

Neste momento que estamos passando, não vou apontar nenhum defeito em Lula. Ele é vítima de uma campanha brutal já há muitos anos e apontar seus defeitos em momentos como este –já que na minha opinião suas virtudes são superiores ao seus defeitos, como ser humano e quadro político– é colaborar com este massacre.

(…)

O deputado Jair Bolsonaro aparece em segundo lugar nas pesquisas mais recentes. Na sua avaliação, após 13 anos de governo de um partido da centro-esquerda (PT), como explicar a popularidade de Bolsonaro?

Como dizia Gramsci [Antonio Gramsci, filósofo italiano de orientação marxista do século 20], entre uma época que morre e a outra nova época que custa a nascer se criam e crescem os monstros.

O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, do PSDB, pediu ajuda de tropas federais para o julgamento de Lula no TRF-4. O senhor considera o pedido apropriado? Há risco de conflitos?

Eis um exemplo do populismo pós-moderno. [Marchezan Jr.] não tem competência constitucional nem autoridade moral para isso. Não tem nenhum risco de conflito que a Brigada Militar [Polícia Militar do Rio Grande do Sul] não possa intervir e controlar caso isso ocorra.

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