Louca por holofotes, esposa de Moro aparece em capa de revista e diz que “trabalhou muito nos quatro anos de Lava Jato”

Rosângela Moro é capa da revista Top View, de Curitiba. Dê um look:

Logo no primeiro contato, ela deixou claro que a entrevista não seria com a esposa do juiz da Lava Jato. Rosângela Wolff Moro, dona de uma personalidade forte e de um sorriso que surge fácil, não se recusou a falar de como a maior operação de combate à corrupção da história do país mudou a sua rotina e a de sua família, mas fez questão de mostrar que tem vida e luz próprias.

À frente de um escritório especializado no terceiro setor, a advogada tem atuação profissional intensa e usou essa rotina pesada de trabalho para driblar os holofotes que vieram com as investigações da Petrobras.

Filha de uma alfabetizadora de escola pública e de um mestre de obras, ela teve uma infância simples e escolheu a profissão a pedido do pai, que queria uma filha doutora. Foi na universidade, aliás, que conheceu o marido, então seu professor de Constitucional. Em 2018, o casamento com Sérgio Moro atingiu a maioridade.

Além das teses jurídicas dos clientes, Rosângela também se preocupa em cuidar da família, em manter seu estilo clássico e com o destino do país – como respondeu, com uma gostosa risada, sobre um possível futuro na política.

Houve mudanças na Rosângela depois da exposição na Lava Jato ?

Sim.

Quando você percebeu que esse caso era diferente de todos os outros que o seu marido já julgou?

Foi naquele domingo de agosto [2013], em que eu vi as pessoas na rua. Ali, a ficha caiu.

O que você pensou na hora?

“Que legal, o Sérgio está contribuindo. É uma das engrenagens que estão contribuindo para um país melhor. Está fazendo o trabalho dele, que sirva de inspiração para todo mundo fazer o seu.”

Em março, a Lava Jato completou quatro anos. A exposição ainda a incomoda? O que você aprendeu nesse período?

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Algumas limitações impostas incomodam. Aprendi a ser mais paciente e mais tolerante. Um exemplo é que você vê as redes sociais e todo mundo está falando o que bem quer, então eu aprendi a lidar com isso e estou bem mais tolerante. Durante esses quatro anos, o que eu mais fiz, até para ficar mais alheia a tudo e manter a minha sanidade, foi mergulhar em trabalho. Eu nunca trabalhei tanto na minha vida como nesses últimos quatro anos.

Moro e Rosângela no Palácio do Batel, em Curitiba, no lançamento da revista Top View de maio
Você já foi vítima de fake news?

Nossa, muitas vezes! Chateia mais quando veiculam matérias falsas sobre a minha família e os meus amigos. Eles não têm nada a ver com as consequências da Operação Lava Jato, que é o verdadeiro alvo das fake news. A Lava Jato sacudiu a cultura da impunidade e, como familiares e amigos do juiz, ficamos sujeitos às notícias falsas. Eu sou absolutamente a favor da liberdade de expressão e lido bem com as críticas. Acho que as diferenças são importantes e promovem um debate saudável.

E quanto à repercussão das fake news?

A discussão é outra. Se, de um lado, as redes sociais aproximam pessoas, de outro, abrem portas para todo mundo se achar jornalista, blogueiro e difundir suas opiniões e julgamentos em geral. As pessoas julgam e julgam muito mal quando veem uma foto, quando leem uma manchete e acham que compreenderam a matéria. As pessoas julgam e julgam muito mal quando replicam notícias sem sequer checar a fonte.

O pior tribunal é a internet. É como se a leitura do primeiro capítulo de um livro fosse suficiente para compreender toda a obra e é óbvio que não é. Mas isso está na cultura da população. Como se muda a cultura de um povo? A mim, parece que só existe uma resposta: investir na educação e formar indivíduos que saibam tirar as suas próprias conclusões, ainda que destoem do pensamento da maioria, porque serão opiniões legítimas e não replicadas.

Quem é o seu grande conselheiro?

Eu e meu marido conversamos muito e acredito que mutuamente nos aconselhamos.

O segredo para um casamento duradouro…

Cumplicidade. Respeito. E muitas risadas.

Como vê o Brasil do futuro para seus filhos?

É preciso ter esperança. Eu vejo uma sociedade mais consciente e mais intolerante com a má gestão dos interesses públicos. Eu vejo uma sociedade insatisfeita com a atuação estatal nas áreas básicas de educação, saúde, segurança, economia, empregabilidade. E a insatisfação é a força propulsora de mudança. Cabe à sociedade ir atrás dessas mudanças. (…)

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