Lula: Me tirar do jogo é crime contra Constituição e petistas atacam ‘plano B’; SAIBA!

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desafiou nesta quinta-feira (22) em São Paulo a condenação que pode deixá-lo fora da eleição e levá-lo para a cadeia, tratando a ação da Justiça como “erro histórico” e “crime contra a Constituição”.

“Se eles quiserem me tirar do jogo, eles vão ter que cometer um crime contra a Constituição”, disse Lula no discurso que encerrou o ato de comemoração dos 38 anos do PT.

Pouco antes, o ex-presidente afirmou que “Quem quiser me julgar vai pagar pelo erro histórico cometido” e voltou a criticar o juiz Sergio Moro, que o condenou em primeira instância, dizendo que foi alvo de uma “sentença mentirosa”, aceita também na instância superior.

Lula foi condenado em segunda instância no caso do tríplex do Guarujá (SP), da Operação Lava Jato, a 12 anos e um mês de prisão. Sua defesa entrou com um pedido de habeas corpus no STF para tentar evitar a detenção após o fim dos recursos na segunda instância.

Ainda sob incerteza jurídica se poderá ou não disputar a eleição presidencial, o petista ironizou dois de seus possíveis rivais no pleito: o presidente Michel Temer (MDB) e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Em tom de piada, Lula considerou pequenas as chances de ambos passarem do primeiro turno e disse que eles estão aguardando o possível impedimento de sua candidatura. “Eles sabem que, se eu for candidato, só vai sobrar uma vaga no segundo turno (…) Se eles me tirarem do jogo, tem uma vaga”, disse. “Até ele [Temer] acha que, se eu não for candidato, ele tem chance.”

Ainda no ataque a Temer, Lula fez um elogio inusitado a uma frase de Jair Bolsonaro (PSL-RJ), segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto com o petista e líder nos cenários sem ele. O ex-presidente afirmou que Bolsonaro disse uma “frase histórica” quando falou que Temer “já roubou de tudo, mas não vai roubar meu discurso nem roubar meus votos”.

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O ato desta noite contou com a presença dos senadores Gleisi Hoffmann (PR), presidente do partido, e Lindbergh Farias (RJ), os deputados federais José Guimarães (CE) e Paulo Pimenta (RS), o vereador de São Paulo Eduardo Suplicy e os ex-ministros Celso Amorim, Aloizio Mercadante e Fernando Haddad, entre outras lideranças petistas.

Segundo Gleisi, a ex-presidente Dilma Rousseff não compareceu ao evento por “motivos pessoais”. Também não compareceram os governadores petistas que comandam cinco Estados: Minas Gerais, Bahia, Ceará, Piauí e Acre.

Em sua fala, Gleisi afirmou que o ato de hoje serviu sobretudo para confirmar a candidatura de Lula à Presidência e foi um “ato de desagravo” à “perseguição” sofrida pelo petista. “O PT não tem plano B”, ressaltou a senadora.

Outros discursos ao longo da noite insistiram que o partido não procura um segundo nome para a eleição presidencial. As falas acontecem na mesma semana em que Haddad se encontrou com representantes de outros partidos – Ciro Gomes (PDT), pré-candidato à Presidência, e Márcio França (PSB), pré-candidato ao governo de São Paulo. As reuniões, mesmo tendo aval de Lula, foram criticadas internamente por dirigentes petistas.

Enquanto os representantes do PCdoB, Walter Sorrentino, e do PCO, Antônio Carlos, discursaram no ato defendendo a formação de uma frente de esquerda e a adoção de uma estratégia política comum para o campo, o líder da bancada petista no Senado, Lindbergh Farias, repetiu o bordão “Eleição sem Lula é fraude”. O presidente da CUT, Vagner Freitas, também adotou o lema.

Ao longo da noite, pelo menos dois discursos saudaram políticos do PT envolvidos em casos de corrupção. A senadora Gleisi Hoffmann lembrou os nomes dos ex-presidentes da legenda José Dirceu e José Genoíno ao falar de nomes que contribuíram para a formação do partido.

Já o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta, citou Dirceu, Genoíno e João Paulo Cunha, entre outros petistas, como “nomes que orgulham o nosso partido e a nossa história”.

UOL

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