Moro nega novo pedido de Lula sobre falsidade de documentos da Odebrecht

DO G1

O juiz federal Sérgio Moro negou o pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para considerar falsos alguns documentos anexados ao processo da Lava Jato que apura a compra de um terreno para o Instituto Lula e de um apartamento em São Bernardo do Campo (SP).

Os dados foram apresentados pela defesa de Marcelo Odebrecht e pelo Ministério Público Federal (MPF) como sendo integrantes do sistema de contabilidade informal da Odebrecht.

De acordo com o MPF, esses documentos demonstram que parte do valor usado para compra do terreno na Rua Doutor Haberbeck Brandão, saiu do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, mais conhecido como “departamento de propina” da companhia.

Moro, que é responsável pelas ações da Lava Jato na 1ª instância, negou o pedido da defesa de Lula nesta quarta-feira (2).

“Julgo improcedente o incidente de falsidade, uma vez que a prova nele produzida, oitiva de testemunha e a perícia grafotécnica e documentoscópica, não permite concluir pela falsidade material dos documentos impugnados”, diz o despacho.

Relacionadas

No entanto, o juiz diz que outras questões, referentes à integridade do sistema de contabilidade informal da empreiteira, serão analisadas somente na sentença.

“A autenticidade e integridade do sistema eletrônico de contabilidade informal da Odebrecht, bem como dos documentos ali inseridos, serão objeto de exame na sentença da ação penal, já que ali determinada a realização de perícia da Polícia Federal sobre o referido sistema”, informa um trecho da decisão.

A denúncia referente a este processo foi apresentada em 15 de dezembro de 2016 e aceita por Moro quatro dias depois. Segundo o MPF, a Construtora Norberto Odebrecht pagou R$ 12.422.000 pelo terreno onde seria construída a nova sede do Instituto Lula. Esta obra não foi executada.

Os procuradores também afirmam que Lula recebeu, como vantagem indevida, a cobertura vizinha à residência onde vive, em São Bernardo do Campo (SP). De acordo com o MPF, foram usados R$ 504 mil para a compra do imóvel.

Lula está preso na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba desde 7 de abril, devido à condenação em duas instâncias no processo sobre o triplex em Guarujá (SP). Ele cumpre pena de 12 anos e um mês por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato.

O ex-presidente também é réu em uma ação da operação que envolve um sítio em Atibaia, no interior paulista.

você pode gostar também Mais do autor