Ator que faz Moro em filme já não acha o juiz um ‘heroi’

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Marcelo Serrado, 50, virou magistrado em duas semanas. Esse foi o tempo que o ator teve de preparação para viver a versão cinematográfica do juiz Sergio Moro, que julga as ações da Operação Lava Jato em primeira instância.

“Parece que esse caminho estava me perseguindo. Me interessa muito fazer essa figura tão emblemática e controversa”, disse Serrado à repórter Letícia Mori.

Inicialmente, o juiz no filme “Polícia Federal — A Lei é Para Todos” seria Rodrigo Lombardi, mas o ator teve que cancelar por questões de agenda. Serrado, que já tinha sido convidado para fazer o papel na série do Netflix sobre o mesmo assunto, dirigida por José Padilha, assumiu.

Para compensar o pouco tempo, a preparação foi intensa. Focada nas ações da PF, a produção teve amplo acesso aos bastidores da operação em Curitiba. E embora o personagem de Serrado seja “só um coadjuvante”, os produtores conseguiram um almoço do ator com o juiz.

Moro foi pontual e conversou sobre coisas leves -o filme “Spotlight”, do qual é fã, e hobbies como jogar tênis. Segundo o ator, o magistrado foi simpático, mas “fechadão”. “Ele não fala muito, é muito sério. Tentei ficar amigo dele no WhatsApp, mas ele me ignorou”, conta sorrindo.

O almoço foi um encontro único. “Eu peguei alguns trejeitos, mas aprendi mais vendo palestras dele no YouTube. O [diretor] Marcelo Antunez pediu para que seja uma atuação com muita verdade, uma coisa sutil.”

O ator terminou de gravar suas cenas antes do Carnaval. Mas a filmagem do longa continuou. O filme terminará com a condução coercitiva do ex-presidente Lula -portanto deixando de fora a prisão da maioria dos empresários e políticos. A ideia, diz o produtor Tomislav Blazic, é completar uma trilogia sobre a Lava Jato.

Não diz quem são esses amigos. “São os de esquerda. Eu convivo com pessoas que pensam de vários jeitos, e muitos são de esquerda. Eu também. Eu sou um cara de esquerda, sempre fui. Nem todo mundo que foi a favor do impeachment é a favor desse governo.”

Serrado estava no grupo de atores que foi para os protestos contra a corrupção no ano passado —uma foto deles na van com camisetas do “Bloco do Moro” foi uma das mais compartilhadas na época.

Diz que não se arrepende de ter pedido o impeachment, mas admite ter mudado de opinião sobre algumas coisas. A figura que vai interpretar no filme é uma delas. Serrado chegou a dizer que seria como fazer um “herói nacional”.

“Eu mudei um pouco de pensamento. A gente tá o tempo todo evoluindo. Essa figura que as pessoas colocaram pro Moro, de herói… O herói me parece ser uma pessoa infalível, entendeu? E eu não vejo isso. Ele é uma pessoa normal, que pode errar.”

Diz ficar inconformado com radicalismos “de um lado e de outro”. “O que aconteceu com a Letícia Sabatella [xingada em um protesto por defender o governo Dilma] é absurdo, ela tem o direito de se posicionar. Assim como Zé de Abreu tem o direito de dizer o que pensa. Vivemos numa democracia.”

Serrado mesmo nunca foi agredido na rua, mas ouviu xingamentos on-line por apoiar o impeachment. “Algumas pessoas são imbecis e usam internet pra atacar. Antes eu lia, mas depois pensei: “tô deixando de decorar cena pra discutir aqui? Não tenho tempo pra isso!”

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2 Comentários

  1. Maria Souza Diz

    Não, não eu digo não tem perdão, perdôo uma pessoa analfabeta que não tem acesso a informação é só assiste a tv Globo numa tv velha trasistorizada, mais gente que vive badalando na sociedade, que tem todos os meios acesso a informação… Nao não tem perdão, vocês tem uma participação neste desmonte, nesta degradação em que o País se transformou, este homem não é Juíz, nem OAB ele prestou, é preciso acabar este complexo de vira-latas que a Globo os impõe… No mais fica aqui o meu recado, tiveram a oportunidade de enxergar, agora desfrutem da merda que provocaram…

  2. Débora Diz

    Me avisa quando lançarem esta série para eu NÃO assistir.

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