SINDICATO QUER AFASTAR DELEGADO QUE INVESTIGA ESQUEMA DE AÉCIO EM MG

O Sindicato dos Delegados de Polícia de Minas Gerais quer afastar Rodrigo Bossi de Pinho, chefe do Departamento Estadual de Investigações sobre Fraudes, da investigação sobre o esquema que abafou as denúncias de corrupção durante o governo de Aécio Neves.

Ofício assinado por Marco Antonio de Paula Assis, presidente do Sindicato, pede ao corregedor-geral da Polícia Civil, Alexandre França Campbel Penna, o afastamento de Pinho, com a transferência do inquérito para um delegado da corregedoria.

No ofício, o delegado menciona reportagem publicada pelo Diário do Centro do Mundo, que revelou a apreensão de originais de uma investigação na casa de um advogado envolvido com o grupo denunciado no mensalão mineiro e na Lista de Furnas. Quem determinou a apreensão foi o delegado Rodrigo Bossi de Pinho, e os originais na casa desse advogado comprometem o delegado que chefiava a investigação na época, Márcio Nabak.

Nabak era da confiança do gabinete de Aécio Neves e de seu sucessor, Antonio Anastasia, e ele teve papel decisivo na prisão de Nílton Monteiro, delator do mensalão mineiro e da Lista de Furnas, e de Marco Aurélio Carone, dono do Novo Jornal, site que divulgava denúncias de corrupção envolvendo o então governo do Estado.

Nabak também foi acusado por Nílton Monteiro de desaparecer com documentos que revelavam dívida de políticos e empresários com o ex-deputado Sérgio Naya, para quem Nílton trabalhava. Nílton passou mais de um ano preso e Carone, quase um ano. Ambos não tinham condenação e foram para a cadeia ao mesmo tempo em que Aécio fazia campanha para presidente.

Relacionadas

Rodrigo Bossi não dá entrevista, mas certidão emitida por ele sobre o andamento do inquérito mostra que o foco da apuração é a lista do publicitário Marcos Valério, que a exemplo do mensalão mineiro e Furnas foi desacreditada a princípio. Porém, com o andamento do inquérito, informações contidas na lista estão sendo confirmadas.

Nelas, aparecem beneficiários de propinas pagas através de Valério, que era apenas o operador do esquema que teria movimento centenas de milhões de reais ao tempo do governo tucano em Minas Gerais. A investigação também se aproxima de membros da Polícia Civil, do Ministério Publico e do Judiciário, que teriam tomado decisões para silenciar adversários de Aécio, e favorecê-lo e seus protegidos em inquéritos e processos.

É nitroglicerina, e o Sindicato, com alegação de que quer proteger a imagem de delegados, seus afiliados, está contribuindo, conscientemente ou não, para que bomba não seja detonada.

O ambiente na Polícia Civil em Minas Gerais está tenso.

diariodocentrodomundo

você pode gostar também Mais do autor