Travestis cobram dívida de deputado do PP gaúcho que votou pelo impeachment

Por Miguel Enriquez

Companheiro de partido da senadora gaúcha Ana Amélia Lemos, uma das campeãs da moralidade e dos bons costumes no Congresso, ardoroso apoiador do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o deputado federal José Otávio Germano, do PP, voltou a ocupar as páginas policiais no final da manhã da última sexta-feira, 22.

Réu na Lava Jato, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, desta vez Germano se viu envolvido num tumulto promovido por duas transexuais que cobravam ruidosamente, em frente ao prédio em que reside, no bairro de Petrópolis, em Porto Alegre. Elas cobraram dívidas não pagas pelo deputado por seus favores sexuais.

Segundo o jornal Zero Hora, incomodados pela algazarra, os moradores do bairro, um dos redutos da classe média alta da capital do Rio Grande do Sul, acionaram a Brigada Militar, que enviou uma guarnição de três soldados ao local. Um dos policiais subiu ao sétimo andar, onde reside Germano, e voltou dizendo que ele iria pagar a dívida. Descrevendo o deputado como “muito alterado”, o soldado pediu que as transexuais esperassem a chegada de uma pessoa que iria trazer o dinheiro.

Por telefone, o policial passou os dados da conta corrente de uma delas para que o parlamentar fizesse o depósito. Depois de duas horas de espera, o soldado que intermediava a negociação voltou para dentro do prédio. Ao sair, trouxe no bolso R$ 2,5 mil, em notas de R$ 100 e R$ 50.

Após alguns minutos de conversa com os PMs, as transexuais aceitaram ir embora mediante a promessa de que o restante da suposta dívida será pago em breve. Uma delas mostrou à reportagem da ZH mensagens de celular em que o deputado a chamava para o seu apartamento no começo da manhã desta sexta. Ela afirmou ter visto no convite a oportunidade de cobrar dívidas passadas, convocando a amiga para acompanhá-la. O plano teria sido frustrado quando o político bloqueou o contato no celular, o que teria motivado as duas a promoverem o tumulto em frente ao prédio.

Relacionadas

Filho do falecido Otávio Germano, vice-governador do Rio Grande do Sul entre 1979 e 1983, o deputado Germano, de 56 anos, tem um longa trajetória política iniciada com um mandato de deputado estadual, em 1998. Já ocupou as Secretarias do Transportes (1997-1998) e da Justiça e da Segurança Pública (2003-2006), além da presidência da Caixa Econômica Estadual. Em 1998, foi candidato a vice-governador na chapa do então governador Antônio Britto, que concorria a reeleição, derrotada por Olívio Dutra do PT.

Em 2000, no segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, Germano foi nomeado ministro-adjunto do Esportes e Turismo e Secretário-Nacional do Esporte. Dois anos depois, elegeu-se deputado federal pela primeira vez, sendo o terceiro mais votado da bancada do PP.

Conhecido por seu envolvimento em maracutaias na esfera regional (em 2008, foi acusado de fazer parte de um esquema de corrupção no Detran gaúcho), Germano levou sua expertise ao plano federal. Em 2008, quando integrava a Comissão de Minas e Energia da Câmara, intermediou o pagamento de propina ao ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, para facilitar o acesso da Fidens Engenharia, de São Paulo, até então excluída do clube das empreiteiras, a contratos com a estatal.

Com base na delação de Costa, o deputado do PP foi denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) pelos crimes de corrupção passiva e ocultação de bens, no âmbito da operação Lava Jato, no dia 30 de março de 2016.

A denúncia da PGR, aceita pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, que o transformou em réu, em março deste ano, não impediu, um mês e meio depois, que Germano fosse um dos 367 votos favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. “O país precisa se reencontrar com a estabilidade política, fortalecendo as instituições democráticas”, justificou Germano, na época.

.x.x.x.

Abaixo, os vídeos em que as transexuais cobram a dívida do “imundo” Germano e da sessão em que, em homenagem à sua família, ele votou sim pelo impeachment de Dilma Rousseff.

você pode gostar também Mais do autor